Minoritários elevam tom para barrar fusão da Oi com Portugal Telecom

segunda-feira, 17 de março de 2014 19:55 BRT
 

Por Luciana Bruno

RIO DE JANEIRO, 17 Mar (Reuters) - Acionistas minoritários da Oi estão aumentando a articulação contra os termos da fusão proposta com a Portugal Telecom e vão tentar barrar a operação na assembleia marcada para dia 27.

A Tempo Capital entrou nesta segunda-feira com pedido público de procuração na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para representar outros minoritários da Oi na assembleia.

A reunião vai deliberar sobre o laudo de avaliação dos ativos da Portugal Telecom para fins de aumento de capital da Oi. O laudo elaborado pelo Santander foi alvo de críticas dos minoritários, que apontam "superavaliação" dos ativos da companhia portuguesa, o que segundo eles tem como consequência uma maior diluição da fatia da Oi.

Segundo Domenica Noronha, sócia da Tempo Capital, o objetivo do pedido público de procuração é facilitar a participação dos minoritários na assembleia, de forma a se opor à aprovação do laudo, peça essencial para a fusão com a PT.

"Nosso objetivo é formar um grupo de acionistas que se posicione contrariamente a esse laudo (de avaliação) e a essa operação (de aumento de capital)", disse Domenica à Reuters.

"Os solicitantes entendem que esta operação é uma tentativa do grupo de controle de obter benefícios particulares às custas da companhia e de seus acionistas minoritários, mediante o compartilhamento de dívidas de responsabilidade exclusiva do grupo de controle com os demais acionistas da companhia", afirmou a gestora no documento enviado à CVM.

O pedido público de procuração foi feito em conjunto com o fundo norte-americano Vinson Fund, na qualidade de titulares de ações que representam 0,5 por cento do capital social da Oi e de 1,8 por cento do capital votante, segundo aviso aos acionistas.

Os esforços dos minoritários ocorrem em meio à disputa na CVM sobre o direito dos controladores de votar na assembleia que irá deliberar sobre o laudo de avaliação. Em novembro, a Tempo Capital alegou que os controladores não poderiam ter direito a voto devido a potencial conflito de interesses.   Continuação...