CVM suspende oferta pública da Oi em revés para fusão com Portugal Telecom

quinta-feira, 27 de março de 2014 21:52 BRT
 

Por Luciana Bruno e Guillermo Parra-Bernal

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 27 Mar (Reuters) - A planejada fusão do grupo de telecomunicações Oi com a parceira Portugal Telecom sofreu um revés nesta quinta-feira, com a decisão da Comissão de Valores Mobiliários de suspender por até 30 dias a oferta pública de ações da operadora de telefonia brasileira.

O oferta pública de ações faz parte do aumento de capital da Oi, estimado entre 8 bilhões e 14 bilhões de reais, que é parte essencial do complexo processo de fusão com a parceira europeia. A fusão visa melhorar as finanças de ambos os grupos e dar fôlego para investimentos em um ambiente altamente competitivo.

A CVM decidiu suspender a oferta por até 30 dias por considerar que as declarações dadas na véspera pelo presidente da companhia brasileira feriram a legislação que regula ofertas públicas de ações.

"Essa decisão (...) foi tomada em virtude de matérias jornalísticas publicadas em 26 de março que divulgaram declarações do presidente da Oi, Zeinal Bava, relacionadas a essa companhia e à Oferta", informou a CVM em comunicado ao mercado na noite desta quinta-feira.

Na véspera, a Oi promoveu entrevista à imprensa sobre serviços de televisão por assinatura. O executivo foi então questionado por jornalistas sobre o andamento da fusão e afirmou que a união das empresas trazia vantagens.

A suspensão ocorreu dois dias após a CVM ter aprovado o prosseguimento da operação ao permitir a participação dos acionistas controladores da Oi em assembleia realizada nesta quinta-feira. Os acionistas aprovaram o plano para aumento de capital da empresa, que inclui a oferta de ações, e o laudo de avaliação de ativos da Portugal Telecom que serão usados na fusão.

Fonte próxima da CVM disse na terça-feira, que apesar da decisão favorável aos controladores da Oi naquele momento, o aumento de capital continuava sendo analisado pela autarquia no âmbito da oferta pública de ações. Com isso, o entendimento do colegiado na ocasião não significa que a operação estivesse seguindo toda a regulação da CVM, segundo a fonte.

Em comunicado ao mercado, a Oi afirmou que "apresentará os devidos esclarecimentos à CVM na maior brevidade possível, e buscará sanear qualquer eventual irregularidade a fim de retomar o curso da oferta". Representantes da Oi não estavam disponíveis imediatamente para dar mais detalhes sobre o assunto.   Continuação...