2 de Setembro de 2008 / às 14:39 / 9 anos atrás

ANÁLISE-Com Robinho e árabes, Manchester City sonha novamente

<p>O brasileiro Robinho, na &eacute;poca jogador do Real Madrid, gesticula durante coletiva de imprensa em um hote, no dia 31 de agosto. Ele agora ir&aacute; jogar no Manchester City, e a oferta de compra feita na segunda-feira por uma empresa com sede em Abu Dhabi marca o mais recente cap&iacute;tulo da trajet&oacute;ria de um dos clubes mais pitorescos do futebol ingl&ecirc;s.. Photo by Paul Hanna</p>

Por Martyn Herman

LONDRES (Reuters) - A vida quase nunca é monótona no Manchester City, e a oferta de compra feita na segunda-feira por uma empresa com sede em Abu Dhabi marca o mais recente capítulo da trajetória de um dos clubes mais pitorescos do futebol inglês.

Poucas horas depois de ter confirmado a eventual mudança de proprietário, o City surpreendeu os pesos-pesados da liga inglesa ao contratar, no último dia de prazo, o brasileiro Robinho junto ao Real Madrid por supostos 40 milhões de euros.

Com a chegada do novo camisa 10, a equipe pode se orgulhar de ser o time do mundo com mais representantes na seleção brasileira, com 3. Além de Robinho, Elano e Jô também estão na última relação de convocados pelo técnico Dunga.

Desde que conquistou o Campeonato Inglês em 1968, o time vive à sombra do Manchester United, tendo se especializado em protagonizar falsos renascimentos. Explica-se assim por que os torcedores da equipe costumam entoar a música "Blue Moon", marcadamente triste.

Nos 22 anos durante os quais Alex Ferguson levou para o Manchester United 10 títulos da primeira divisão, duas Ligas dos Campeões e vários outros troféus, o City viu-se mergulhado, por culpa própria, na mediocridade e em uma série de sonhos frustrados.

O momento menos auspicioso deu-se em 1999, quando o clube caiu para a terceira divisão do futebol inglês. Nos anos seguintes, o Manchester City recuperou seu devido lugar na elite da modalidade esportiva, sem, porém, ter chegado sequer perto de conquistar uma taça.

No total, 11 treinadores tentaram, sem sucesso, devolver ao clube o glamour que esvaneceu durante o reinado de Ferguson.

A empreitada mostrou-se irrealizável para, entre tantos, Kevin Keegan e Sven-Goran Eriksson, ambos ex-treinadores da seleção inglesa.

Mark Hughes, o antes queridinho de Old Trafford (estádio do United), é o mais recente titular da problemática vaga e, depois de duas vitórias em três jogos, há muitas esperanças na metade azul de Manchester a respeito das chances de o time estar finalmente apto a dar conta do recado.

"DESESPERADOS POR UM TROFÉU"

Agora que o dinheiro não parece mais ser um problema, o City fez uma proposta audaciosa para contratar o atacante búlgaro Dimitar Berbatov por debaixo do nariz do Manchester United. O intento fracassou, mas a arregimentação de Robinho provocou muito alvoroço.

"Para mim, não se trata do dinheiro. Precisamos de alguém que nos dê estabilidade. Nos últimos 30 anos, não obtivemos nenhuma conquista e estamos desesperados em busca de um troféu", afirmou na segunda-feira Kevin Parker, secretário do clube oficial de torcedores do City.

No ano passado, por volta da mesma época, o ex-primeiro-ministro tailandês Thaksin Shinawatra era recebido como uma improvável salvação quando levou ao time 81 milhões de libras (146,3 milhões de dólares).

O fato de grande parte da fortuna dele ter sido congelada na Tailândia depois de sua deposição em um golpe de 2006 e de ele ter sido acusado de corrupção não o impediu de contratar Eriksson e de despender grandes somas de dinheiro com contratações precipitadas.

No entanto, depois de um começo promissor, logo se percebeu que transformar aqueles jogadores no orgulho de seus torcedores seria algo mais difícil do que o previsto inicialmente.

O eventuais novos proprietários do clube, o Abu Dhabi United Group for Development and Investment, descreveram na segunda-feira, sem meias palavras, o que imaginam fazer com o Manchester City.

"Nossa meta é bastante simples -- fazer do Manchester City o maior time do Campeonato Inglês", afirmou à revista Arabian Business Sulaiman al-Fahim, membro da diretoria daquela empresa.

"Nesta temporada, vamos tentar ficar entre os quatro primeiros e vamos comprar quem for necessário para isso."

Após as dificuldades enfrentadas nos últimos anos, as declarações soam como música ao ouvido dos torcedores do City, mesmo que os mais realistas dentre eles observe já ter ouvido essas promessas antes.

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