11 de Janeiro de 2008 / às 12:34 / 10 anos atrás

Edmund Hillary, pioneiro do Everest e empenho pelo Nepal

Por Kazunori Takada

WELLINGTON (Reuters) - O neozelandês Edmund Hillary, primeiro homem a escalar o Everest, que morreu aos 88 anos nesta sexta-feira, era considerado um dos maiores aventureiros do século 20, mas será lembrado também por suas décadas de empenho pelo povo do Nepal.

"Para mim, ele foi o maior aventureiro do século 20", disse à Reuters o milionário, filantropo e aventureiro australiano Dick Smith, que já deu a volta ao mundo sozinho num helicóptero.

Após escalar o Everest com o sherpa Tenzing Norgay, em 1953, Hillary buscou outras grandes aventuras no Himalaia e na Antártida, onde chegou ao Pólo Sul de trator.

Mas Hillary nunca esqueceu o povo nepalês, que o ajudou a se tornar mundialmente famoso. Seu Fundo Himalaio arrecada cerca de 250 mil dólares por ano, e ele pessoalmente ajudou na construção de escolas, hospitais, pontes, dutos e até de uma pista de pouso.

"Acendi candeeiros e ofereci preces por sua reencarnação como ser humano", disse em Katmandu Ang Rita Sherpa, 60 anos, que foi amigo de Hillary e trabalhou durante 23 anos com ele e com o Fundo Himalaio.

"Muita gente da etnia sherpa ofereceu preces particulares, enquanto muitos outros estão realizando serviços especiais nos monastérios", disse ele, acrescentando que haverá uma cerimônia em Katmandu, capital do Nepal, país asiático onde fica o Everest.

Ao anunciar sua morte, a primeira-ministra da Nova Zelândia, Helen Clark, disse: "o lendário montanhista, aventureiro e filantropo é o neozelandês mais conhecido que já viveu. Mas acima de tudo ele era a quintessência dos 'kiwis' (apelido dos habitantes do país).

"Ele era nosso -- desde a sua aparência rude e seu estilo lacônico até sua honestidade e caráter direto. Era um colosso. Era uma figura heróica que não só derrotou o Everest, como viveu uma vida de determinação, humildade e generosidade."

A conquista da montanha mais alta do mundo, em 1953, encantou o mundo e fez do ex-apicultor Hillary uma celebridade mundial, um dos maiores aventureiros do planeta.

"Foi uma coisa inovadora, tentar descobrir se o corpo humano poderia mesmo sobreviver naquelas altitudes naquela época", disse Andrew Lock, que já escalou duas vezes o Everest.

"Ele era simplesmente o tipo de montanhista para o qual todos os outros montanhistas olhavam como sendo o pico absoluto da escalada adequada e ética", acrescentou.

Os amigos mais íntimos disseram que a morte de Hillary não é uma surpresa, mas será uma grande perda para o miserável Nepal.

"Infelizmente, não era inesperada", disse Elizabeth Hawley, historiadora do alpinismo. "Mas ainda assim é uma perda terrível para toda a sua família, para amigos e para o povo sherpa."

O chefe da missão neozelandesa na Antártida, Lou Sanson, disse que a bandeira do país foi hasteada a meio-mastro na sexta-feira na base Scott, que Hillary fundou há 51 anos, e que o clima é de "muito abatimento" ali.

Reportagem adicional de Gopal Sharma em Katmandu

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