17 de Junho de 2008 / às 15:08 / 9 anos atrás

Na Índia, exilados protestam contra tocha olímpica no Tibete

<p>Exilados tibetanos protestam em Dharamsala, 17 de junho de 2008. Photo by Stringer</p>

DHARAMSALA, Índia (Reuters) - Cerca de 200 exilados tibetanos realizaram uma passeata por Dharamsala (norte da Índia), na terça-feira, a fim de protestar contra os planos de levar a tocha olímpica ao Tibete.

Segundo os manifestantes, a região precisa de justiça, não de cerimônias cheias de pompa.

Em um outro incidente, a polícia indiana interrompeu uma passeata realizada por um grupo de tibetanos que se dirigia à China, prendendo 50 deles quando tentaram ingressar em uma zona militar de acesso restrito existente ao longo da fronteira.

A passeata e outras manifestações contrárias à China transformaram-se em um motivo de incômodo para o governo da Índia, nação com laços comerciais e culturais cada vez mais intensos com os chineses, e isso apesar de uma disputa fronteiriça ainda não solucionada entre os dois países.

Na terça-feira, tibetanos com cartazes e faixas percorreram ruas de Dharamsala, sede do governo tibetano no exílio e lar do líder espiritual deles, o Dalai Lama, gritando palavras de ordem contra a China.

"Libertem o Tibete" e "Queremos justiça" contavam-se entre as frases ditas pelos manifestantes, avessos aos planos chineses de fazer com que a tocha olímpica percorra o Tibete.

Em uma peça encenada na rua, tibetanos vestidos com uniformes verdes iguais aos de policiais chineses protagonizaram cenas de brutalidade, fingindo espancar jovens e monges tibetanos enquanto apontavam-lhes armas.

A tocha olímpica deve passar por Lhasa (capital do Tibete) neste fim de semana, apesar de os organizadores do evento não terem ainda confirmado a data dele ou detalhes a respeito da rota. Na cidade, em março, ocorreram distúrbios de rua em meio a protestos contra a China.

"Os tibetanos são totalmente contrários à passagem da tocha pelo Tibete porque a China está usando a tocha e as Olimpíadas para mostrar que o Tibete é uma parte da China", afirmou à Reuters Tsewang Rinzen, presidente do Congresso da Juventude Tibetana.

"Há milhares de tibetanos que ainda guardam luto e que se encontram, neste momento, no período de luto", disse, criticando o evento a ser realizado em Lhasa.

"Acreditamos firmemente que, independentemente de a tocha passar ou não por Lhasa, o povo tibetano possui o direito de decidir a esse respeito, e não o governo chinês."

Os exilados tibetanos afirmam que seus protestos ocorrem em solidariedade aos que moram no Tibete. Mas o Dalai Lama afirmou várias vezes que apoiava as Olimpíadas e que as manifestações como a marcha dos cem dias rumo à China eram perigosas e inúteis.

Muitos jovens tibetanos criticam o tom conciliador adotado pelo líder espiritual em relação à China e defendem a meta de independência total do Tibete, ao contrário da meta de "autonomia verdadeira" capitaneada pelo Dalai Lama.

A polícia indiana dispersou repetidas vezes os participantes da marcha rumo à China.

Reportagem de Abhishek Madhukar

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