July 16, 2008 / 11:59 AM / 9 years ago

China diz ter desbaratado 12 células terroristas em Xinjiang

4 Min, DE LEITURA

Por Ben Blanchard

PEQUIM (Reuters) - Forças de segurança da China em Kashgar, cidade da região de Xinjiang (oeste do país), conseguiram até agora desbaratar 12 células terroristas com base no exterior, afirmou um relatório divulgado no site do governo chinês, na quarta-feira.

O relatório, que pode ser lido no endereço www.china.com.cn e que cita o vice-presidente do Partido Comunista em Kashgar, Huang Sanping, acusou de envolvimento com os grupos, entre outros, o Movimento Islâmico do Turquestão Oriental e o Hizb ut-Tahrir.

O primeiro constou da lista de grupos terroristas elaborada em 2002 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e teria ligações com a Al Qaeda. Mas o Hizb ut-Tahrir, que diz ter como meta criar um Estado islâmico supranacional, nega patrocinar atos violentos.

"Com a aproximação cada vez maior das Olimpíadas, as forças do Partido Comunista, do Exército, da Polícia Armada do Povo e do departamento de segurança pública de Kashgar estão totalmente preparadas para qualquer eventualidade e podem responder a incidentes inesperados a qualquer momento", disse o relatório.

Recentemente, meios de comunicação oficiais da China deram várias notícias sobre a descoberta de atividades terroristas em Xinjiang.

Na semana passada, o governo chinês afirmou ter identificado cinco "grupos terroristas" que pretendiam realizar atentados contra os Jogos Olímpicos. A polícia deteve 82 pessoas em Xinjiang.

Não ficou claro se o relatório mais recente incluía as prisões efetuadas então.

Grupos de defesa dos direitos humanos afirmam que a China usa as Olimpíadas como desculpa para reprimir ainda mais os moradores de Xinjiang, lar de 8 milhões de uigures muçulmanos, que falam uma língua túrquica e dos quais muitos não aceitam o domínio chinês.

Segundo o relatório, Kashgar, que fica perto das fronteiras com o Paquistão e com o Afeganistão, era a "linha de frente" dos esforços para combater o terrorismo em Xinjiang.

"Esses grupos vêm infiltrando-se intensamente na China, usando os que não têm emprego, os que foram soltos de campos de trabalho forçado e os que estão insatisfeitos com a sociedade para realizar atividades danosas, as quais representam uma ameaça", afirmou Huang.

"Não obstante o número de pessoas envolvidas não ser tão grande, isso teve um certo efeito sobre a sociedade em virtude da posição especial de Kashgar", acrescentou.

Dilxat Raxit, porta-voz do Congresso Mundial Uigur, uma entidade que funciona no exílio, disse que essa operação era mais um exemplo dos ataques injustificáveis realizados pelos chineses contra os uigures.

"Não há provas mostrando que eles tenham se envolvido com o terrorismo", disse, em um comunicado mandado por email.

"Se a China está convencida de suas acusações, então não deveria ter medo de que a comunidade internacional investigasse o caso."

O governo chinês acusa militantes uigures de cooperarem com a Al Qaeda para criar um Estado independente chamado Turquestão Oriental.

Muitos uigures criticam a migração de chineses da etnia han para a região e o controle do governo sobre sua religião e cultura.

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