20 de Abril de 2008 / às 14:09 / em 9 anos

China procura conter manifestações nacionalistas

Por Jason Subler e Ben Blanchard

PEQUIM (Reuters) - A China procurou no domingo conter uma explosão de sentimento nacionalista desencadeada pelas manifestações de protesto que acompanharam o percurso da tocha olímpica no mundo. A mídia estatal exortou a população a canalizar seu patriotismo para expressões “racionais”.

Mas as manifestações contrárias à independência tibetana e à cobertura feita pela imprensa ocidental dos distúrbios recentes no Tibete continuaram em várias cidades, informou a agência de notícias oficial Xinhua.

Mais de mil estudantes e outras pessoas em Xi‘an, na província de Shaanxi, ergueram faixas em frente a um supermercado da rede francesa Carrefour, criticando os protestos anti-China feitos durante a passagem da tocha olímpica por Paris.

“Com alto-falantes, gritaram ‘apoio às Olimpíadas’, ‘Vai, China!’ e ‘Condenem a CNN”', disse a Xinhua.

A emissora francesa CNN vem sendo criticada na China por observações feitas por um de seus comentaristas na semana passada, tornando-se símbolo da frustração chinesa com o que seria a cobertura enviesada feita pela mídia ocidental dos tumultos recentes no Tibete.

No domingo, os protestos chegaram às cidades de Harbin e Dalian, no nordeste da China, e também a Jinan, capital da província de Shandong, no leste, disse a Xinhua. Manifestações semelhantes tinham ocorrido no sábado, acompanhadas por chamados pelo boicote de produtos franceses.

No domingo, num sinal de preocupação com as manifestações de fervor nacionalista, a imprensa estatal chinesa lançou chamados por calma.

O Diário do Povo, porta-voz do governista Partido Comunista, publicou um comentário intitulado “Como pode o patriotismo ser mais poderoso?”, dizendo que a população tem o dever de expressar seu amor por seu país “de modo calmo e razoável”.

O comentário, mencionado mais tarde numa transmissão da TV nacional, disse que as pessoas devem concentrar-se em fomentar a força nacional geral e enfrentar os problemas com calma.

“Que o mundo veja que a China de hoje se desenvolve passo a passo e que nada poderá perturbar esse processo”, disse.

A China vê as Olimpíadas como oportunidade de mostrar ao mundo uma imagem positiva do país.

As perturbações que acompanharam a passagem da tocha olímpica por Londres, Paris, San Francisco e Nova Délhi desencadearam manifestações de frustração e revolta entre os chineses.

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