6 de Agosto de 2008 / às 01:10 / 9 anos atrás

Mascotes olímpicos são desprezados e acusados de trazer azar

<p>Um volunt&aacute;rio acompanha o mascote dos Jogos Ol&iacute;mpicos pelo aeroporto de Pequim. Photo by Ceerwan Aziz</p>

Por Belinda Goldsmith

PEQUIM (Reuters) - Bonitinhos, sorridentes e simpáticos, os cinco mascotes da Olimpíada de Pequim já conquistaram as crianças do mundo todo, mas entre alguns a reação é mais fria, e há até quem acuse os bonequinhos de darem azar para a China.

Os cinco fuwas (bonecos da boa-sorte) representam as cores dos anéis olímpicos e os cinco elementos da tradição chinesa. Todos são chamados por sílabas duplicadas e ritmadas -- uma forma comum de chamar crianças carinhosamente na China.

O mais popular é Huanhuan, que é vermelho e simboliza o fogo e a paixão pelo esporte e a chama olímpica. Logo atrás vem Jingjing, que é preto, na figura de um panda, e representa a madeira.

Beibei é um esturjão azul que representa a água. Yingying é um antílope tibetano amarelo e simboliza a terra, enquanto Nini é uma andorinha verde que alude ao céu.

Os mascotes olímpicos estrearam nos Jogos de Inverno de Grenoble-1968, e como a maior parte deles os fuwa tiveram uma recepção indiferente.

“Não fazem o meu gênero, são infantis demais”, disse a turista inglesa Michelle Lam, que comprava lembranças oficiais dos Jogos.

A Anistia Internacional, que critica a China por descumprir suas promessas de melhorar os direitos humanos, criou uma paródia dos mascotes, o macaco Nu Wa (“jovem irado”), para protestar contra a censura à internet.

Outro grupo colocou no YouTube o vídeo Gengen, o Genocida, um personagem vermelho e amarelo, que leva consigo uma imagem de caveira, numa referência à leniência do governo chinês em relação à situação em Darfur (Sudão) (here).

Os mascotes oficiais se tornaram onipresentes em Pequim, seja recebendo visitantes no aeroporto ou estampados em outdoors. Aparecem em virtualmente qualquer produto, de pins e camisetas até na forma de bonecos de 1,3 metro de altura, que custam mais de 360 dólares.

Mas até entre os chineses mais entusiasmados com os Jogos há pessoas descontentes com os personagens criados pelo artista chinês Han Meilin e já transformados em animação para TV.

Usuários da internet relacionaram os cinco mascotes a calamidades ocorridas na China nos meses prévios à Olimpíada, embora censores tenham sido rápidos em retirar qualquer alusão à “maldição dos futwa”, nome dado pelos internautas. O panda Jinjing foi relacionado ao terremoto de Sichuan, uma região conhecida por seus pandas, e Beibei, o esturjão, pelas inundações no sul do país. Nini, às vezes confundida com uma pipa, foi vinculado a um acidente ferroviário em Weifang, a “cidade das pipas”, enquanto Yingying foi associado aos distúrbios no Tibete, e Huanhuan, com sua cabeça de chama, aos protestos no percurso da tocha olímpica.

Reportagem adicional de Lucy Hornsby e Alfred Cang

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