Caso de doping ofusca ida de Putin à Olimpíada

quarta-feira, 6 de agosto de 2008 19:35 BRT
 

Por Oleg Shchedrov e Chris Baldwin

MOSCOU (Reuters) - O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, responsável por uma política de revitalização do esporte em seu país, embarca na quinta-feira para Pequim sob a sombra de um caso de doping cada vez mais complicado.

O Comitê Olímpico Russo acusou Vyacheslav Fetisov, um russo integrante da Associação Mundial Antidoping, de ter traído seu país. Fetisov rejeitou a acusação.

"(Fetisov) deveria saber de tudo, deveria ter informado, alertado sobre qualquer tipo de violação. Não vimos nada do gênero. Você traiu o país e tirou um mês de férias pré-olímpicas em algum lugar da sua América natal", disse o assessor de imprensa do comitê russo, Gennady Shvets, a uma rádio moscovita.

Em Pequim, a delegação russa negou que tenha promovido o doping sistemático de seus atletas e questionou o momento das punições, a poucos dias do início de uma Olimpíada em que a Rússia ficará privada de várias chances de medalha por causa das suspensões -- por exemplo no atletismo, ciclismo e marcha.

Onze atletas russos já foram banidos ou suspensos do esporte internacional neste ano, e o jornal russo Sovetskiy Sport disse que outros competidores ainda serão pegos -- algo que o chefe da agência antidoping local negou.

Uma fonte não-identificada, ligada à federação russa de atletismo, disse que outros 11 atletas haviam sido pegos no exame.

As vitórias esportivas são parte mais ampla de uma estratégica do Kremlin para reafirmar o poder russo no mundo nos oito anos transcorridos desde que Putin assumiu a Presidência, que neste ano trocou pelo cargo de primeiro-ministro.