8 de Agosto de 2008 / às 00:38 / 9 anos atrás

Está tudo pronto para a mais cara cerimônia olímpica da história

Por Andrew Cawthorne

PEQUIM (Reuters) - A China realiza na sexta-feira a mais cara cerimônia de abertura olímpica da história, em uma tentativa de chamar a atenção para sua modernidade, após meses de incidentes políticos envolvendo o governo comunista nos preparativos para os Jogos Olímpicos de Pequim.

Entre os espectadores da cerimônia no estádio olímpico apelidado de Ninho de Pássaro estará o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, que chega a Pequim um dia depois de fazer o seu mais duro discurso contra a situação dos direitos humanos na China.

Muitos apostam que a China vá disputar com os EUA a hegemonia global neste século, a começar pelo quadro de medalhas nestes Jogos.

A China espera que a cobertura negativa da imprensa a respeito de questões como a repressão no Tibete acabe às oito horas da noite do 8o dia do oitavo mês -- uma combinação associada à fortuna (no horário de Brasília, 9h de sexta-feira). A audiência global prevista para a festa é de 1 bilhão de pessoas.

Ostentando seu recém-adquirido poderio econômico, a China investiu 43 bilhões de dólares na Olimpíada. Foram 100 milhões só para as cerimônias de abertura e encerramento, o dobro do gasto em Atenas 2004.

Pequenos grupos de estrangeiros tentaram promover manifestações nesta semana em Pequim, mas foram rapidamente dispersados pela polícia -- parte de um esquema de segurança com 100 mil soldados e agentes.

Na segunda-feira, um ataque atribuído a separatistas islâmicos matou 16 policiais no oeste da China, e na quinta-feira duas empresas dos EUA que monitoram declarações de militantes disseram que um grupo muçulmano pouco conhecido ameaça cometer ataques durante os Jogos.

Um vídeo datado de 1o de agosto traz imagens do logotipo dos Jogos de Pequim em chamas e de um orador mascarado e portando um rifle AK-47, segundo a empresa Site Intelligence Group.

O governo chinês declarou nesta semana que continua confiante na segurança do evento.

BANDEIRAS

Durante o desfile das delegações, a bandeira do país anfitrião será carregada pelo mais famoso esportista chinês, o jogador da NBA Yao Ming, de 2m29 de altura.

Num possível constrangimento a China e Sudão, os atletas dos EUA escolheram o ex-refugiado sudanês Lopez Lomong, hoje naturalizado norte-americano, como porta-bandeiras. Lomong foi vítima de milícias árabes patrocinadas pelo governo e aos seis anos, em 1991, teve de fugir do sul do Sudão.

A China vende armas para o Sudão e investe no setor petrolífero do país. Ativistas estrangeiros dizem que a má-vontade de Pequim impede que a comunidade internacional exerça mais pressão sobre Cartum a respeito do conflito na região de Darfur, onde poderia haver atrocidades cometidas com aval do governo.

Infelizmente para o ideal olímpico de harmonia, desta vez não houve acordo para que as duas Coréias desfilassem juntas, como em 2004 e 2000.

E, embora Bush tenha dito que veio por conta do esporte, não da política, ele proferiu na quinta-feira em Bangcoc um duro discurso em que manifestou "firme oposição" à prisão de dissidentes, militantes dos direitos humanos e ativistas religiosos.

Entretanto, as desavenças da geopolítica global não devem arrefecer o ânimo dos muitos chineses que há sete anos se prepararam para o maior evento internacional já feito no país.

Cerca de 15 mil pessoas participarão das coreografias, e serão utilizados 29 mil fogos de artifício, uma invenção local. O cineasta Zhang Yimou foi o encarregado de condensar 5 mil anos de história chinesa em um só espetáculo.

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