15 de Março de 2008 / às 00:40 / em 9 anos

Presidente da Fifa defende quotas para estrangeiros em times

Por Mark Ledsom

ZURIQUE (Reuters) - O presidente da Fifa, Sepp Blatter, disse na sexta-feira que a entidade levará adiante a sua polêmica proposta de restringir o número de estrangeiros que podem jogar por um clube.

Pelo sistema chamado "6+5", todo time de futebol do mundo deveria entrar em campo com pelo menos seis jogadores que estejam legalmente qualificados para defender a seleção do país onde fica o clube.

Blatter, que tem apoio total do comitê executivo da Fifa nessa proposta, disse que a idéia é fortalecer a identidade dos clubes e promover investimentos nas categorias de base.

Mas não está claro se o sistema "6+5" não contraria leis européias que proíbem a discriminação profissional com base na nacionalidade (no caso de jogadores de um país da UE atuando em outro país do bloco).

"O comitê executivo declarou por unanimidade que o '6+5' é de fato uma solução positiva, mas é claro que não queremos nos chocar diretamente com as leis existentes", disse Blatter em entrevista coletiva na sede da Fifa, em Zurique.

Segundo ele, uma nova reforma no tratado da UE pode abrir uma exceção para os esportes profissionais. O Tratado de Lisboa, adotado em outubro passado pela UE, faz uma referência explícita às especificidades do esporte, mas as áreas especificas às quais isso se aplica ainda serão objeto de negociação.

Blatter disse que voltará a mencionar o tema numa reunião em abril com representantes da UE.

Já a proposta da Liga Inglesa de realizar uma rodada adicional do Campeonato Inglês no exterior não foi bem recebida pelo comitê executivo da Fifa, segundo Blatter.

"Houve uma reação muito forte do comitê de que essa idéia não funciona", afirmou.

Os dirigentes ingleses deveriam discutir a idéia em fevereiro com a Fifa, mas decidiram realizar "novas consultas" diante da repercussão negativa dentro e fora da Grã-Bretanha.

Resumindo o restante das resoluções de sexta-feira do comitê, Blatter pediu aos clubes que "obedeçam ao espírito olímpico" e liberem seus jogadores maiores de 23 anos que queiram disputar a Olimpíada de Pequim.

As regras olímpicas autorizam que cada seleção leve até três jogadores com mais de 23 anos, mas nada obriga os clubes a liberá-los.

A Fifa anunciou também que manterá a proibição de partidas em altitudes elevadas, assunto que foi discutido a pedido da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol).

A regra da entidade diz que "sem aclimatação" não pode haver partidas internacionais oficiais acima de 2.750 metros de altitude.

Reportagem de Mark Ledsom

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