5 de Julho de 2008 / às 14:09 / em 9 anos

China alerta que distúrbios e sabotagem ameaçam Olimpíada

Por Chris Buckley

PEQUIM (Reuters) - Distúrbios e sabotagem ameaçam a Olimpíada de Pequim, disse nesta sexta-feira um alto funcionário do setor de segurança da China.

Ao mesmo tempo, após autoridades demitiram funcionários depois de protestos populares que resultaram no incêndio de uma delegacia de polícia numa cidade da província de Guizhou.

Os problemas em Guizhou, situada no sudoeste do país, irromperam apesar da determinação do governo chinês de suprimir qualquer sinal de descontentamento antes dos Jogos de Pequim, em agosto.

O vice-ministro de Segurança Pública, Yang Huanning, disse a autoridades policiais que os Jogos serão alvo de forças hostis ao Partido Comunista, que governa a China.

"A atual situação doméstica e internacional está repleta de complicações", disse Yang no encontro, segundo uma publicação do setor de segurança chinês.

"Especialmente à medida que a Olimpíada de Pequim se aproxima, um leque de forças anti-China e forças hostis redobram os esforços para provocar por qualquer meio problemas e atos de sabotagem."

Indicado recentemente para o cargo e descrito pela imprensa estatal como "perito antiterror", Yang deu ordens em uma outra reunião para que seja minimizado o fluxo de cidadãos que se dirigem a Pequim para reclamar de abusos de autoridades locais, informou o serviço noticioso da China.

A China adotou ações de grande amplitude para evitar protestos ou violência durante os Jogos, que começam em 8 de agosto. As regiões conflitivas do Tibete e de Xinjiang são alvo especial das medidas.

DEMISSÕES

As advertências de Yang surgiram enquanto as autoridades procuravam abafar rapidamente distúrbios no Condado de Weng'an, em Guizhou, os quais deixaram em evidência as camadas de descontentamento sob o vertiginoso crescimento do país.

Moradores de Weng'an incendiaram no sábado as sedes do governo e da polícia, além de vários veículos, exigindo justiça depois que se espalhou a informação de que a polícia havia encoberto o estupro e assassinato de uma adolescente de 17 anos, dizendo que se tratou de suicídio.

A polícia nega que parentes de autoridades tenham algo a ver com a morte da garota e diz que ela se matou ao pular num rio.

Uma terceira autópsia, realizada por peritos forenses na quarta-feira, mostrou novamente que ela se afogou, segundo a agência oficial de notícias Xinhua, acrescentando que depois desse novo exame o corpo dela foi enterrado.

Mas as autoridades reconhecem que a ira da população local reflete grandes falhas da polícia e autoridades provinciais e, por isso, nesta sexta-feira anunciaram a demissão do chefe do PC de Weng'an, Wang Qin, e do prefeito do condado, Wang Haiping, informou a Xinhua.

Os dois chefes de polícia locais já haviam sido demitidos por "severa conduta ilegal." O secretário do PC de Guizhou, Shi Zongyuan, disse que autoridades locais haviam gerenciado mal as tensões públicas sobre mineração, demolições de casas e reassentamento de moradores, disse a Xinhua.

Segundo a Xinhua, cerca de 30.000 pessoas participaram do protesto, no qual ficaram feridos 150 policiais e moradores, mas não houve mortes.

Reportagem adicional de Guo Shipeng

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