Seleção feminina é desafio mais difícil de Zé Roberto

quinta-feira, 21 de agosto de 2008 13:35 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr

PEQUIM (Reuters) - Treinar a equipe de vôlei feminino foi o trabalho mais difícil que José Roberto Guimarães já enfrentou. Mas, após quatro anos de trabalho que se seguiram à derrota histórica em Atenas, a sensação é de alívio ao ver o time se classificando pela primeira vez a uma final olímpica.

"Depois de Atenas foi complicado para levantar a cabeça de muita gente, inclusive a minha. Fiquei muito debilitado de força, foi complicado digerir a situação. Você entra em um buraco e se sente culpado", disse o treinador, campeão olímpico com a equipe masculina de vôlei em 1992, após seu time derrotar a campeã olímpica China nesta quinta-feira.

Nos Jogos Olímpicos de Atenas, o Brasil fazia 24 a 19 contra a Rússia na semifinal e acabou perdendo seis match points, abrindo caminho para uma histórica vitória russa.

"Eu vivi muito intensamente esse período após Atenas. Sofri muito", disse Zé Roberto, lembrando ainda da derrota de sua equipe para Cuba na final do Pan-Americano do Rio de Janeiro em 2007, que foi "doída" por acontecer no Brasil.

"Mas estarmos aqui agora (na final) é merecido, foi um trabalho muito elaborado e pensado, as jogadoras amadureceram e eu vejo o time mais tranquilo", declarou o treinador.

Depois de tanto trabalho na montagem e preparação do time atual, que em sete jogos em Pequim não perdeu um set sequer, Zé Roberto diz que não passou pela cabeça em nenhum momento na noite anterior do jogo a eventualidade de voltar a perder.

"A gente estudou muito com a comissão técnica. Juro pela minha santa mãe que eu não pensei que ia perder. Eu sabia que a gente merecia", disse o treinador. "É a melhor coisa do mundo agora e me sinto gratificado com elas jogando tão bem sem que os outros times estejam jogando mal", afirmou o técnico, acrescentando que não esperava que seu time poderia ficar sem perder um set até agora.

Adotando a mesma tática que vem utilizando desde o início da Olímpiada, Zé Roberto evita ficar pensando já na medalha. Prefere estudar a estratégia para pegar os Estados Unidos no último jogo. Segundo ele, as norte-americanas são o time que o Brasil mais conhece e vice-versa por causa de três amistosos na preparação para os Jogos e do treinamento que fizeram em Pequim.

O treinador disse que não esperava que Cuba, adversária dos EUA na semifinal dos Jogos, perdesse por 3 a 0 e que cometesse tantos erros. "Fiquei atônito no jogo de Cuba, não acreditei que aquilo estava acontecendo", disse ele, evitando comentar se a derrota da seleção rival do Brasil foi uma boa coisa para seu time.