29 de Julho de 2008 / às 13:16 / 9 anos atrás

COI vai investigar possível censura na Internet durante Jogos

Por Nick Mulvenney

PEQUIM (Reuters) - O Comitê Olímpico Internacional (COI) vai investigar a possibilidade de que esteja havendo censura da China no acesso de jornalistas à Internet, disse nesta terça-feira o chefe de imprensa da entidade, Kevin Gosper.

A China prometeu total liberdade de imprensa durante os Jogos, e em janeiro de 2007 abrandou restrições a correspondentes estrangeiros, o que vai vigorar até outubro. Mesmo assim, a imprensa estrangeira diz que intimidações das autoridades continuam ocorrendo.

Na terça-feira, era impossível, por exemplo, acessar no centro olímpico de imprensa a página da ONG Anistia Internacional, que na véspera divulgou um duro relatório acusando o governo local de descumprir as promessas de liberdade feitas para receber os Jogos.

Gosper disse que o COI vai examinar tudo que possa interferir no trabalho dos jornalistas.

"Todas essas coisas são uma preocupação, e vamos investigá-las, mas nossa preocupação é que a mídia possa noticiar os Jogos como em Jogos anteriores", disse ele à Reuters. "Vamos levar a questão imediatamente ao comitê organizador e às autoridades."

Liu Jianchao, porta-voz da chancelaria chinesa, disse que o acesso da imprensa à Internet está normal, mas admitiu que haverá bloqueios a sites ligados ao movimento religioso Falun Gong, que é considerado pela China como uma seita.

"Acho que vocês sabem que a Falun Gong é um culto que foi banido de acordo com a lei, e vamos aderir à nossa posição", disse Liu em entrevista coletiva.

Ele sugeriu que as dificuldades em acessar certas páginas seriam resultantes de problemas nos próprios sites. "Há alguns problemas com muitos sites que fazem com que não seja fácil vê-los na China", afirmou Liu.

"Nossa atitude é garantir que os jornalistas estrangeiros tenham acesso regular às informações na China durante os Jogos Olímpicos", acrescentou.

A Olimpíada começa no dia 8 de agosto e já há muitos jornalistas e técnicos nos centros de imprensa e radiodifusão. Ao todo, mais de 20 mil profissionais estão credenciados para o evento.

"Como eu já disse antes, este é um país que tem censura dentro da sua imprensa, mas tivemos garantias de livre acesso, de atividade aberta para que a mídia noticie os Jogos Olímpicos durante a época dos Jogos. Agora estamos na época dos Jogos", disse Gosper.

O assessor acrescentou que também há queixas quanto à lentidão da Internet oferecida à imprensa. "Livre acesso à Internet também significa velocidade normal", disse ele, prometendo levar o assunto ao Comitê Organizadores dos Jogos Olímpicos de Pequim (Bocog).

Em sua primeira visita ao centro de imprensa desde que chegou a Pequim, Gosper se disse em geral satisfeito com o que viu até agora. "Os preparativos são sempre nervosos, mas até agora está tudo bem."

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