Basquete feminino não é "carta fora do baralho", diz técnico

quarta-feira, 16 de julho de 2008 21:26 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - Mesmo enfrentando problemas que só lhe permitirão definir a equipe às vésperas da Olimpíada de Pequim, o técnico da seleção feminina de basquete, Paulo Bassul afirmou que sua equipe não é "carta fora do baralho".

O treinador afirmou que o Brasil tem três jogos difíceis em seu grupo, contra Coréia do Sul, Belarus e Letônia, e dois jogos "muito difíceis" contra Rússia e Austrália. Mas afirma que apesar da chave olímpica, chamada por ele de "duríssima", nenhuma dessas seleções têm times impossíveis de serem derrotados pelas brasileiras.

"A gente não é carta fora do baralho não, seria até muito cômodo para nós vendermos essa história, mas não vamos vender isso não. Vamos vender uma história de um time lutador, que ficou feliz com a vaga, mas estar feliz é diferente de satisfeito. Satisfeito é fim de linha e nós estamos muito longe disso", disse Bassul.

A principal dor de cabeça do técnico é a falta de ritmo de jogo das pivôs Érika, que ficou de fora do Pré-olímpico por fratura causada por estresse, mas já está sem a dor causada pela lesão, e Kelly, que não vem sendo aproveitada em seu time na liga norte-americana WNBA. Além disso, durante o torneio classificatório, a ala Iziane, uma das principais jogadoras do Brasil, se desentendeu com Bassul durante partida contra Belarus e foi afastada da seleção.

"Por enquanto continuo trabalhando pensando que vou contar com elas (Kelly e Érika). O grupo está muito bem, está fazendo um jogo agressivo na defesa, coletivo no ataque. Acho que a equipe vai chegar pronta", disse Bassul.

"A Érika é uma jogadora com a qual eu conto totalmente. Ela é crucial para nós e vou ter toda a paciência do mundo para poder contar com ela no grupo. Já a Kelly está com uma situação semelhante, de pouca utilização, e ter mais minutos na equipe dela seria muito positivo para nós. Se não acontecer, continuará sendo um problema", acrescentou Bassul nesta quarta-feira a jornalistas.

"A Iziane é assunto encerrado, não falo sobre isso. Temos que pensar agora em quem vai, não podemos tirar foco do grupo", evitou o assunto.

O Brasil enfrentará três estilos de basquete na fase classificatória. Asiático, representado pela Coréia e que mostra jogo muito rápido, intensa troca de passes e constantes arremessos de três pontos. Europeu, com equipes muito altas, que jogam mais cadenciado e cometem poucos erros, e australiano, semelhante ao norte-americano, em que as jogadoras abusam do físico em defesas agressivas, marcação em toda a quadra e jogadas arriscadas em velocidade, disse o técnico brasileiro.   Continuação...