COI pode discutir questão do Tibet com a China, diz dirigente

quarta-feira, 2 de abril de 2008 21:09 BRT
 

Por Wojciech Moskwa

OSLO (Reuters) - O Comitê Olímpico Internacional (COI) pode buscar conversações com a China a respeito dos direitos humanos no Tibet se esse assunto ameaçar o sucesso dos Jogos de Pequim, disse na quarta-feira um membro do comitê executivo da entidade.

Respondendo às críticas de que o COI estaria omisso em relação à situação dos direitos humanos na China, o norueguês Gerhard Heiberg disse que o comitê se preocupa com o Tibet, mas não quer extrapolar sua condição de organização esportiva.

O COI, de acordo com ele, adotará uma "diplomacia silenciosa" ao se reunir a portas fechadas com autoridades chinesas, mas não tem "o direito ou a possibilidade" de questionar as políticas internas e externas do país.

O Comitê Olímpico trata a repressão política das últimas semanas no Tibet como uma questão interna da China, e não como uma violação dos direitos humanos.

"Se começarmos a nos meter nisso, estamos perdidos como organização esportiva", disse Heiberg por telefone à Reuters.

Heiberg, um dos dez membros da direção do COI, ressalvou que "quando questões políticas podem influenciar o sucesso dos Jogos, nós podemos tocar no assunto".

"É claro que não estamos contentes com o que aconteceu no Tibet, e podemos conversar um pouco a respeito", afirmou ele, referindo-se à visita que o COI fará à China entre esta semana e o fim de abril.

"Por enquanto, até agosto, temos a possibilidade de influenciar o governo chinês. Provavelmente não há ninguém que tenha tanta influência e poder na China quanto o COI neste momento", afirmou o dirigente.

A Anistia Internacional diz que a Olimpíada não foi capaz de estimular reformas na China. A Human Rights Watch afirmou que as promessas de melhorar os direitos humanos antes dos Jogos são vagas e zombam do espírito da Carta Olímpica.

Heiberg não quis comentar essas avaliações das ONGs e disse que a China está cumprindo as promessas que fez para receber a Olimpíada, como controlar a poluição e dar mais liberdade a jornalistas.