9 de Janeiro de 2008 / às 13:10 / 10 anos atrás

Segurança alimentar preocupa organizadores dos Jogos de Pequim

Por Lindsay Beck

PEQUIM (Reuters) - Carne de porco criado domesticamente ou industrializada? Legumes frescos ou de estufa?

Num momento em que os produtores de alimentos da China estão sob observação depois de uma série de problemas de contaminação, as autoridades do país não estão deixando nada ao acaso para os Jogos Olímpicos de agosto.

Na sede da entidade que supervisiona a segurança dos produtos, várias telas mostram em tempo real as linhas de produção de empresas como uma fábrica de chicletes ou um órgão alfandegário que lida com exportação e importação de alimentos. A central pode receber imagens de até mil lugares ao mesmo tempo.

“Durante os Jogos Olímpicos de Pequim, as agências de inspeção e quarentena vão usar a rede de monitoramento para fazer um monitoramento em tempo real de cada produto para garantir a segurança alimentar”, disse recentemente a jornalistas Sun Bo, funcionário da Administração Geral de Supervisão de Qualidade, Inspeção e Quarentena.

A China criou um gigantesco sistema de codificação que incorpora tudo -- de legumes a água potável -- após uma série de escândalos que revelou a corrupção nos órgãos fiscalizadores e a disposição das indústrias para violar os padrões, de modo a maximizar suas margens de lucro, habitualmente pequenas.

Mas ainda há preocupação com a segurança dos alimentos durante a Olimpíada, especialmente da carne. Há temores de que medicamentos administrados aos animais possam gerar resultados positivos em exames antidoping.

O uso de antibióticos e de estimulantes do crescimento é comum na produção mundial de alimentos, mas é mais forte ainda na China, onde há pouca regulamentação.

“Vai ser um grande desafio”, disse Grover Niemeier, consultor de questões sanitárias e alimentares em Xangai.

“Os padrões da carne chinesa em geral ficam bem aquém do que seria necessário ou realista para garantir a segurança alimentar”, acrescentou.

Parte das dificuldades das autoridades está na própria natureza das criações chinesas. Os porcos costumam ser criados em propriedades pequenas e então reunidos, o que inviabiliza exames por amostragem e torna quase impossível traçar sua origem.

A empresa Aramark, que prestou serviços alimentícios na Olimpíada de Atenas, confirmou que será o fornecedor oficial também em Pequim, com a responsabilidade de servir mais de 3,5 milhões de refeições durante os 60 dias do período olímpico e para-olímpico.

Uma fonte do setor disse na China que a Aramark foi pressionada pelos organizadores dos Jogos a desistir do seu fornecedor original -- uma empresa estrangeira -- em favor de parceiros locais, o que seria uma questão de orgulho para a China.

Li Zhanjun, diretor do centro de imprensa dos Jogos de Pequim, disse que os fornecedores de carne ainda não foram definidos.

Mas, como a criação de um porco até sua chegada ao mercado leva em média 245 dias, talvez não haja tempo suficiente para criar os animais especificamente para a época dos Jogos.

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