5 de Agosto de 2008 / às 00:22 / 9 anos atrás

Oleg quer Jade mais calma para 1a medalha da ginástica

<p>A ginasta Jade Barbosa, chorando durante um dos treinos para as Olimp&iacute;adas de Pequim, em Curitiba, 9 de junho. Photo by Cesar Ferrari</p>

Por Marcelo Teixeira

PEQUIM (Reuters) - Manter os nervos sob controle. Esse parece ser o grande desafio para a ginástica artística brasileira em Pequim, na busca pela primeira medalha olímpica da modalidade, de acordo com Oleg Ostapenko, técnico da equipe feminina.

A ginástica é possivelmente o esporte que mais evoluiu no Brasil nos últimos anos, saindo de uma posição coadjuvante para a conquista de várias medalhas em etapas da Copa do Mundo e os títulos mundiais de Daiane dos Santos e Diego Hypólito.

No entanto, a modalidade ainda não figura no quadro dos esportes que já conquistaram medalhas olímpicas para o Brasil, liderado pela Vela, com 14, seguida por Atletismo (13) e Judô (12).

O ucraniano Ostapenko, considerado um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento da ginástica brasileira, acredita que Jade Barbosa, a estrela do momento na modalidade, tem tudo para colocar o esporte na lista dos medalhistas, mas diz que ela precisa trabalhar a parte mental.

“A Jade deve conseguir chegar à final do geral de aparelhos, do salto e do solo. Também pode chegar à final na trave. Se conseguir competir normal, ela tem muita chance”, disse Ostapenko à Reuters, nesta segunda-feira, pouco antes de a equipe iniciar treino no ginásio do Instituto de Educação Física de Pequim, onde muitos dos ginastas que participarão dos Jogos estão se exercitando diariamente.

No masculino, o Brasil tem boas chances de subir ao pódio em Pequim com Diego Hypólito, bicampeão do mundo no solo.

Na ginástica, após as rodadas classificatórias nos vários aparelhos, oito atletas classificam-se para as finais em cada modalidade e também no individual geral (soma de todos os aparelhos), onde ocorre a disputa das medalhas. Também há uma disputa por equipes.

Pelo termo “competir normal”, Oleg quer dizer se Jade, com 17 anos, conseguir controlar o nervosismo que já a atrapalhou em algumas competições.

“Olimpíada é muito difícil e ela é uma menina um pouco nervosa”, disse o técnico sobre a ginasta, que tem fama de chorona. “Mas ela está muito preparada”, acrescentou.

Aos 16 anos, Jade Fernandes Barbosa conquistou o ouro no salto na Copa do Mundo da Rússia neste ano, além de prata no solo e no salto na etapa de Cottbus também em 2008. É a ginasta de maior destaque no time brasileiro atual, formado por mais sete meninas.

Oleg diz que a equipe está bem adaptada às condições da capital chinesa, depois de uma aclimatação no Japão. Ele tem conduzido dois treinos diários, um mais curto pela manhã e um mais intenso no final da tarde.

“Algumas têm reclamado de dores musculares, mas não tem nada sério. Estamos sem problemas,” disse o técnico, do lado de fora do ginásio, sob forte calor e uma névoa que cobria toda a capital chinesa nesta segunda-feira. Não foi permitido o acesso dos jornalistas ao treino.

Além de Jade, o técnico diz que Daiane dos Santos, a grande estrela da ginástica brasileira na Olimpíada anterior (Atenas-2004), também pode conquistar um lugar na final do solo, mas ele não arrisca um palpite para as chances da gaúcha para uma medalha.

“Ela tem problema com o joelho, com o pé, ela não pode treinar muito. Ela treina pouquinho. Por isso eu não sei”, declarou. “Mas depende. Pode ser que consiga final”, acrescentou.

Outra ginasta com bom retrospecto mas que não pôde treinar adequadamente devido a lesões é Laís Souza, ouro no salto na Copa do Mundo de Cottbus em 2005.

Laís voltou a treinar apenas em maio, depois de oito meses parada por lesões como uma fratura no pé direito.

“Agora ela está treinando normal, mas tem pouco tempo de treinamento. Vai ajudar a equipe”, disse Oleg.

As competições na ginástica começam no próximo sábado, dia 9, e as primeiras medalhas serão decididas no dia 12.

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