China nega ter politizado Jogos com críticas ao Dalai Lama

quinta-feira, 26 de junho de 2008 12:35 BRT
 

PEQUIM (Reuters) - A China fez pouco caso nesta quinta-feira de uma advertência do Comitê Olímpico Internacional (COI) para que não misture política com esportes, ao descrever seus comentários contra o Dalai Lama, por ocasião da passagem da tocha olímpica pelo Tibete, como um "esforço para estabilizar" a região.

O governo chinês responsabilizou o líder espiritual tibetano, exilado na Índia, e seus seguidores pelos distúrbios que resultaram em mortes na capital tibetana, Lhasa, em 14 de março, e rotineiramente acusa-o de planejar separar da China essa região rebelde himalaia.

O COI informou na quarta-feira ter escrito para os organizadores dos Jogos de Pequim para lhes pedir que não politizem o evento. Isto porque o líder do Partido Comunista do Tibete, Zhang Qingli, havia dito que a "bandeira vermelha de cinco estrelas da China vai tremular para sempre bem alto (no céu tibetano".

"Nós certamente fomos totalmente capazes de romper os esquemas do grupo do Dalai Lama", acrescentou Zhang, durante a cerimônia para marcar o encerramento da passagem da tocha olímpica por Lhasa.

O dirigente do PC em Lhasa, Qin Yizhi, também criticou o líder espiritual exilado durante a cerimônia de abertura.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Liu Jianchao, disse que não estava a par dos detalhes da carta do COI, mas afirmou que os comentários das autoridades não estão em contradição com a posição da China de não politizar a Olimpíada.

"A posição firme da China é a de se opor à politização dos Jogos Olímpicos e especialmente ao seu uso para interferência nos assuntos domésticos da China", disse Liu durante uma coletiva de imprensa.

"Para algumas autoridades, expressar suas opiniões sobre algumas questões não significa politizar as Olimpíadas, mas fazer um esforço para estabilizar mais ainda a região do Tibete e criar um ambiente harmonioso e estável para os Jogos Olímpicos", disse Liu.

Os distúrbios em Lhasa e sua repressão pela China se tornaram alvo de protestos antichineses durante a passagem da tocha olímpica por Londres, Paris e San Francisco, desencadeando situações que alarmaram o COI e alimentaram a fúria nacionalista entre muitos chineses.

(Reportagem de Ian Ransom)