China critica o Dalai Lama em passagem da tocha pelo Tibete

sábado, 21 de junho de 2008 11:32 BRT
 

Por Chris Buckley

LHASA (Reuters) - Autoridades do Partido Comunista chinês da região do Tibete usaram a passagem da tocha olímpica pela capital Lhasa, neste sábado, para defender seu controle no local e denunciar o líder exilado Dalai Lama.

A procissão da tocha na cidade acabou sob forte esquema de segurança abaixo das torres do palácio Potala, após ter sido conduzida diante de uma multidão cuidadosamente selecionada, cerca de três meses após a região ter vivenciado violentos protestos anti-China.

"O céu do Tibete nunca mudará e a bandeira vermelha com cinco estrelas tremulará para sempre acima dele", afirmou o líder do Partido Comumista, Zhang Qingli em cerimônia que marcou o fim do revezamento da tocha, que durou duas horas e ocorreu em ruas rigorosamente vigiadas.

"Vamos certamente conseguir esmagar os planos separatistas do grupo do Dalai Lama", acrescentou ele em frente ao Potala, tradicional sede do Dalai Lama, a figura mais poderosa do budismo tibetano.

A China acusa o Dalai Lama de incitar os protestos e revoltas que ocorreram em Lhasa e depois em várias regiões do Tibete em março, em uma tentativa de manchar os Jogos Olímpicos de Pequim, que começam no dia 8 de agosto. O Dalai Lama nega tais acusações.

A tocha olímpica dos Jogos de Pequim nunca esteve longe da polêmica. E não fugiu dela em seu trajeto na cidade. Lhasa estava sob um cerco da polícia e havia soldados a cada poucos metros na rua, vigiando atentamente os grupos de moradores escolhidos para aplaudir a tocha. As lojas foram fechadas.

No começo do revezamento, grupos de estudantes --tibetanos e chineses Han-- estenderam faixas sobre as Olimpíadas, mostraram a bandeira nacional chinesa e do Partido Comunista, que leva o desenho da foice e do martelo.

"Estamos convencidos de que o revezamento da tocha dos Jogos Olímpicos de Pequim em Lhasa estimulará ainda mais o espírito patriótico do povo", afirmou o líder do Partido Comunista na cidade, Qin Yizhi, na abertura da cerimônia do revezamento, acrescentando que o ato ajudaria a "esmagar os planos da turma do Dalai Lama".

A agência de notícias estatal Xinhua disse que a tocha passou por Lhasa "em um ambiente alegre e pacífico". O objeto agora vai para a província de Qinghai, terra de muitos tibetanos étnicos.