China inicia campanha para impedir protestos durante Olimpíada

segunda-feira, 30 de junho de 2008 14:27 BRT
 

Por Chris Buckley

PEQUIM (Reuters) - A China lançou uma campanha nacional para neutralizar protestos à medida que se aproximam os Jogos Olímpicos de Pequim, informou nesta segunda-feira a mídia estatal, dias depois de um distúrbio no sudoeste chinês ter evidenciado a volátil tensão social no país.

Num momento em que as autoridades se mostram ansiosas por apresentar a China como uma nação harmoniosa durante os Jogos, em agosto, o governo ordenou que funcionários das províncias e cidades neutralizem campanhas reivindicatórias de cidadãos descontentes e evitem "incidentes de massa", tais como distúrbios e manifestações, segundo as informações da imprensa.

"A Olimpíada de Pequim se aproxima e o encaminhamento adequado de reivindicações e o trabalho pela estabilidade, a proteção da estabilidade e da harmonia social e a garantia de que os Jogos de Pequim sigam de modo tranquilo e seguro, se tornaram uma dura batalha que todo departamento em todas as instâncias tem de vencer," disse um relatório sobre uma videoconferência nacional a respeito das diretrizes para a estabilidade, realizada no sábado. "Agora estamos entrando num estado de guerra", diz um relatório de um website do governo local da província oriental de Zhejiang.

Mesmo assim, num momento em que as autoridades fazem planos para que os Jogos fiquem livres de protestos, uma região na província de Guizhou, no sudoeste do país, foi abalada por tumultos causados por protestos contra supostos abusos de autoridades e policiais.

Milhares de pessoas atacaram órgãos do governo no condado de Weng'an, em Guizhou. A sede da polícia local foi incendiada e veículos da polícia foram destruídos depois que se espalhou a informação de que as autoridades haviam acobertado a morte de uma adolescente.

A reunião de sábado sobre estabilidade foi a última de uma série de medidas de segurança adotadas pela China para impedir que qualquer tumulto doméstico prejudique os Jogos. Seu alvo são as reivindicações de camponeses e outros cidadãos insatisfeitos.

Os grupos que protestam costumam pressionar autoridades locais viajando para as capitais provinciais ou a capital do país para levar queixas sobre perda de terras e corrupção.

Na última década, o número de viagens de manifestantes até as capitais provinciais e até Pequim aumentou muito, passando de 4,8 milhões em 1995 a 12,7 milhões em 2005.   Continuação...