August 24, 2008 / 2:19 PM / in 9 years

Cuba tropeça e Brasil lidera latino-americanos pela 1a vez

5 Min, DE LEITURA

Por Javier Leira

PEQUIM (Reuters) - Cuba, uma das potências esportivas da América Latina, foi a decepção da região nos Jogos Olímpicos de Pequim com uma série de fracassos inesperados, que levaram o Brasil a liderar o quadro de medalhas entre os representantes da América Latina pela primeira vez na história.

O México teve o seu melhor desempenho em 25 anos ao conquistar dois ouros, enquanto a Argentina manteve seu orgulho em alta com o título do futebol e um ouro no ciclismo, o que iguala o desempenho que de Atenas-2004.

Os grandes fracassos cubanos se deram no beisebol, depois que a equipe da ilha perdeu a final para a Coréia do Sul, e no boxe, um esporte que tradicionalmente dá muitas medalhas à Cuba, mas que nesta Olimpíada de Pequim não conquistou sequer um ouro.

Mas o episódio mais escandaloso foi o anúncio do banimento dos torneios mundiais de taekwondo de Angel Matos, depois que o atleta cubano acertou um chute na cabeça do juiz, que havia dado de maneira inesperada a vitória ao rival de Matos.

No entanto, a ilha caribenha brilhou com o ouro de Dayron Robles, que levou com facilidade a prova dos 110 metros com barreiras.

Desta maneira, Cuba terminou a competição -- liderada pela China com 51 ouros, seguida dos Estados Unidos com 36 --, na 27a posição, com 2 ouros, 11 pratas e 11 bronzes. Em Atenas, o país havia ficado na 11a colocação.

O Brasil encerrou sua participação com 3 ouros, 4 pratas e 8 bronzes. A contagem foi maior que em Atenas, quando levou para casa 10 medalhas, porém com menos ouros: 5 contra 3. Desta vez, o desempenho foi suficiente para ser o melhor país latino-americano no quadro de medalhas.

Os ouros brasileiros vieram do vôlei feminino, do nadador César Cielo e da saltadora Maurren Maggi.

No entanto, o país mais uma vez decepcionou no futebol masculino, que acabou os Jogos com a medalha de bronze, sem acabar com o jejum histórico na Olimpíada.

Feriado Nacional E Salsa

Quem se converteu em herói nacional em seu país foi o saltador Irving Saladino, o primeiro panamenho a conquistar uma medalha de ouro olímpica, com a marca de 8.34 metros que ele conquistou no salto em distância.

O Panamá declarou feriado nacional na última quinta-feira e se fez uma festa estrondosa nas ruas da capital para Saladino, inclusive com o popular músico de salsa Rubén Blades, o que colocou milhares de pessoas a dançar.

Saladino vive em São Paulo, onde treina na academia do técnico brasileiro Nélio Moura, o mesmo da também campeã olímpica Maurren Maggi.

O México também fez história ao ganhar duas medalhas de ouro, o que não fazia desde os Jogos de Los Angeles, em 1984, com os triunfos de María del Rosario Espinoza e de Guillermo Pérez no taekwondo.

Outro orgulho da delegação do país são as nadadoras Paola Espinosa e Tatiana Ortiz, que levaram o bronze nos saltos ornamentais.

Para a Argentina, os Jogos de Pequim foram tão frutíferos como os de Atenas. A seleção masculina de futebol voltou a ganhar o ouro e os ciclistas Walter Pérez e Juan Curuchet conseguiram outra medalha dourada na modalidade Madison.

Sua equipe de basquete, campeã olímpica em 2004, não repetiu a façanha ao ser eliminada pelo "Dream Team" dos Estados Unidos nas semifinais. De qualquer maneira, acabou conquistando o bronze.

No Chile, os torcedores do tênis ficaram decepcionados com o fim das chances do ouro, quando Fernando González perdeu a final para o espanhol Rafael Nadal, o número um do mundo.

González levou a medalha de prata, e brincou dizendo que agora tem uma de cada cor. Em Atenas o tenista chileno Nicolás Massú levou o ouro na chave de simples e na de duplas, em parceira com González, que nos mesmos Jogos havia conquistado o bronze no individual.

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