June 10, 2008 / 4:30 PM / 9 years ago

"Vou competir para mim", diz Jade Barbosa

4 Min, DE LEITURA

<p>'Vou competir para mim', diz Jade Barbosa. Maior esperan&ccedil;a de um p&oacute;dio ol&iacute;mpico na gin&aacute;stica feminina, Jade Barbosa sofre com o ritmo intenso dos treinos, chora e afirma que vai competir para ela, tentando afastar a press&atilde;o por um bom resultado em Pequim. 9 de junho. Photo by Cesar Ferrari</p>

Por Tatiana Ramil

CURITIBA (Reuters) - Maior esperança de um pódio olímpico na ginástica feminina, Jade Barbosa sofre com o ritmo intenso dos treinos, chora e afirma que vai competir para ela, tentando afastar a pressão por um bom resultado em Pequim.

Medalhista de ouro no salto na etapa de Moscou da Copa do Mundo, no mês passado, a atleta carioca que completa 17 anos no dia 1o de julho carrega na bagagem o peso de ter sido a melhor do país na modalidade nos Jogos Pan-Americanos de 2007.

"Fico feliz de as pessoas acreditarem em mim. É importante para o atleta ter reconhecimento. Mas também todo mundo acha que tenho que vir (de Pequim) com alguma coisa (medalha) e não é bem assim", disse Jade em entrevista à Reuters.

"Sou um ser humano qualquer, comum. Tento não ligar muito para essas coisas (pressão) e vou lá para competir para mim, porque eu gosto de ginástica", acrescentou ela, com a maquiagem borrada pelo choro.

A menos de dois meses da Olimpíada, no treino da tarde de segunda-feira em Curitiba, Jade foi às lágrimas pouco antes de se apresentar no solo. Tentou segurar o choro mas, no final da série, sentou no tablado e chorou.

Questionada pela técnica Nadja Ostapenko se estava com dor ou cansada, ela disse que não. Durante a entrevista, a ginasta afirmou que não queria falar sobre o motivo pelo qual chorou.

O choro de Jade é recorrente. Nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007, a atleta caiu das barras paralelas e chorou. Ela tinha chance de conseguir medalha no individual geral na ocasião. No dia seguinte, a ginasta levou ouro no salto.

"O mundo não ia acabar porque eu caí e perdi a medalha. Tentei esquecer aquele dia. Foi bem difícil competir em casa, com ginásio lotado e todo mundo te chamando pelo nome", declarou ela, que tem acompanhamento psicógico na capital paranaense, assim como as outras ginastas da seleção.

Treino Pesado

O ritmo dos treinos da equipe permanente de ginástica se intensifica à medida que se aproxima a Olimpíada, que começa em 8 de agosto.

Segundo Jade, antes as atletas tinham que acertar 5 de cada 10 séries executadas. Agora, "tem fazer 10 e acertar 10, e tem que fazer até acertar".

"Está ficando cada vez mais forte, vai apertando. É pesado, mas é necessário", disse Jade, explicando que tem de atingir o pico de preparação durante os Jogos.

Para ela, as chances de medalha são maiores no salto e no solo. "No individual geral eu tenho chance, mas é difícil. Tem que competir bem todos os dias."

Depois da Olimpíada, a atleta voltará a treinar no Flamengo, já que a equipe permanente de ginástica deixará de existir.

"Vai ser legal voltar a frequentar uma escola normal, ver meus amigos, voltar a morar com meu pai", concluiu Jade, cuja mãe morreu quando ela tinha 9 anos.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below