Pequim promete liberdade para a imprensa nas Olimpíadas

sábado, 21 de junho de 2008 11:53 BRT
 

PEQUIM (Reuters) - Os Jogos Olímpicos de Pequim irão oferecer uma "política de recusa zero" a solicitações de entrevistas por parte da mídia, informou neste sábado a imprensa oficial, em um esforço da China de reagir a críticas sobre o controle da imprensa no país.

Os organizadores haviam prometido total liberdade de imprensa em sua campanha para sediar os Jogos. Mas, enquanto a situação melhorou para jornalistas estrangeiros, o país não relaxou seu controle sobre os repórteres locais, política criticada por grupos de direitos humanos.

"O Bocog (comitê organizador dos jogos) irá aplicar uma política de recusa zero a pedidos de entrevistas, o que significa que todas as solicitações de entrevistas serão respondidas", disse Liu Qi, presidente do Comitê, ao jornal China Daily.

Esta semana, contudo, oficiais não permitiram que jornalistas estrangeiros que cobriam o revezamento da tocha olímpica na região de Xinjiang entrevistassem as pessoas que acompanhavam a passagem da tocha, e deixou que apenas um grupo limitado da mídia estrangeira acompanhasse o revezamento em sua passagem pelo Tibete.

Xinjiang e Tibete são o lar da resistência de minorias étnicas, muitas das quais se ressentem do crescimento econômico e domínio cultural dos chineses.

Pequim irá prover "um abundante serviço de informação e de entrevistas agendadas" para criar um "lar para os repórteres", também teria afirmado Liu, segundo informou o jornal do Partido Comunista, o People's Daily, durante discurso em um encontro na capital chinesa.

O braço norte-americano do PEN, organização internacional que luta pela liberdade de expressão, disse em uma carta aberta ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e à secretária de Estado, Condoleezza Rice, que China tem intensificado seus abusos de liberdade de imprensa conforme a Olimpíada vai se aproximando.

"Nós, então, imploramos que vocês continuem, nos dias antes das Olimpíadas, a pressionar pela libertação de 44 escritores e jornalistas ainda mantidos em prisões chinesas e a insistir na completa e irrestrita liberdade de imprensa por toda a nação", dizia a carta.

Liu acrescentou que o governo poderia intensificar sua propaganda para os Jogos, que começam em 8 de agosto.

"Trabalhar muito para criar um bom ambiente de para a opinião pública para os Jogos de Pequim," declarou Liu.

(Reportagem de Ben Blanchard)