Choro e rádio quebram silêncio de ginastas em Curitiba

terça-feira, 10 de junho de 2008 13:31 BRT
 

Por Tatiana Ramil

CURITIBA (Reuters) - Silêncio. As principais ginastas do país estão treinando. Enquanto elas se preparam para a Olimpíada de Pequim, pouco se houve dentro do ginásio em Curitiba.

O silêncio só é quebrado, às vezes, com uma orientação dos técnicos ucranianos, um choro ou o barulho do rádio ligado por Daiane dos Santos.

"Sempre sou a quem liga o rádio. O clima de silêncio me dá pânico porque sou muito elétrica, estou sempre falando", afirmou Daiane à Reuters após o treino de segunda-feira.

Durante os exercícios na trave, nas barras paralelas, no salto ou no solo, as atletas raramente conversam. Mas muitas vezes fazem cara de dor ou de choro.

"Escapou, escapou", desculpou-se Ana Cláudia Silva, chorando, depois de cair da barra. O técnico Oleg Ostapenko dá de ombros. "Sempre isso, precisa fazer certo", afirmou ele, de cara fechada, ao passar pela atleta.

Quando o ucraniano vê Laís Souza sem se exercitar, dá uma bronca e em seguida diz: "Laís, trabalhe certo, entendeu?" A ginasta balança a cabeça positivamente.

"A rigidez é necessária. Se eles deixarem na maciota, não vai andar. Às vezes a gente acha que está fazendo o máximo, mas na verdade não está, então precisa de uma pressão", declarou Laís.

Segundo a técnica Irina Ilyashenko, "brasileiro chora muito". Ela defendeu o método utilizado com as ginastas: "Se não exigir, ninguém trabalha."   Continuação...