2 de Dezembro de 2007 / às 20:57 / 10 anos atrás

Torcedor corintiano vibra, chora e se revolta no Olímpico

Por Tatiana Ramil

PORTO ALEGRE (Reuters) - A confiança do torcedor corintiano virou desespero em quatro horas no estádio Olímpico. Nesse período, alegria, nervosismo, esperança e tristeza se misturaram. E a segunda maior torcida do Brasil, agora, terá de cantar em outras freguesias.

Logo após o jogo de domingo contra o Grêmio, que definiu o rebaixamento do time para a Série B do Campeonato Brasileiro, a torcida paulista manifestou apoio: "Isso eu já disse: Corinthians eu te amo e sempre te amarei".

Em seguida, muitos choraram enquanto outros iniciavam gritos de ameaça aos jogadores. Durante a partida, houve gritos de incentivo o tempo todo. Mas a equipe, limitada, apenas empatou em 1 x 1.

"Louco por ti Corinthians" era o grito mais ouvido dos torcedores, enquanto os gaúchos, que disputaram a Série B há dois anos, retrucavam com "ão ão ão segunda divisão."

Eram quase meio-dia quando os corintianos começaram a chegar ao Olímpico. A recepção gaúcha, no entanto, foi hostil. Integrantes da torcida conhecida como "Alma Castelhana" agrediram e roubaram cerca de 15 torcedores paulistas.

"Só depois que dois estavam no chão é que a polícia chegou", disse Samuel Ovanessian Neto, engenheiro de 24 anos.

Um policial que preferiu não ser identificado contou que esse grupo de torcedores gremistas costuma ser violento. "Eles têm sangue nos olhos", afirmou.

Após o susto inicial, os torcedores passaram a se concentrar na partida. Afinal, era por isso que estavam ali e outras emoções estavam por vir.

"A confiança é total. No Corinthians você sempre tem que acreditar. São 30 milhões de corações batendo neste momento", declarou Rodrigo Eduardo, assistente de exportação, que teve a mochila roubada e estava com o nariz machucado.

Para muitos torcedores corintianos, o goleiro Felipe e o zagueiro Betão são os únicos destaques de um time com uma péssima campanha no Campeonato Brasileiro de 2007. Foram 44 pontos, sendo 10 vitórias, 14 empates e 14 derrotas, com 40 gols marcados e 50 sofridos.

"Os outros são muitos jovens mas não têm culpa (pela situação do time). Estamos passando essa fase por causa de um gerenciamento interno totalmente errado", disse o engenheiro Carlos Alberto Colodoro, 53, que foi de São Paulo a Porto Alegre de avião.

Já um grupo de quatro torcedores afirmou ter enfrentado uma viagem de 20 horas de carro. "Tudo aconteceu. Perdemos as namoradas, o pneu furou, o carro quebrou... Mas no Corinthians a gente nunca perde a esperança", afirmou Vinicius Durante, 23, representante comercial.

A esperança, agora, são por dias melhores. E por uma breve visita à segunda divisão.

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