TV de Cuba surpreende com programa sobre desertores de beisebol

domingo, 13 de janeiro de 2008 14:37 BRST
 

HAVANA (Reuters) - Os cubanos viram pela primeira vez um de seus grandes jogadores de beisebol, Orlando "El Duque" Hernandez, na televisão na noite de sábado, desde que ele desertou para os Estados Unidos há uma década.

Em um lance sem procedentes, a televisão estatal de Cuba transmitiu um documentário esportivo que trouxe entrevistas com jogadores de beisebol que deixaram o país para irem às ligas de maior prestígio dos EUA e que são considerados traidores pelas autoridades comunistas de Cuba.

O filme sobre o time de beisebol mais popular de Cuba, o Industriales de Havana, foi feito em 2003, mas havia sido censurado em razão das entrevistas com ex-astros que haviam desertado.

"Eu sou um Industrialista. Eu não sou um traidor dos Industriales", disse Hernandez no documentário "Fuera de Liga", feito por Ian Padron.

"Eu tive a oportunidade de jogar pelos dois melhores times do mundo: os Industriales e os Yankees", disse o lançador, que atualmente ganha 5 milhões de dólares por ano para jogar pelo New York Mets, mas defendia os Yankees quando concedeu a entrevista.

O primeira base Kendry Morales, que agora joga pelo Los Angeles Angels, foi entrevistado antes de desertar usando uma lancha rápida que o levou até Miami em 2004.

O beisebol em Cuba é uma paixão nacional, mas vem sofrendo com a perda constante de seus melhores jogadores, que ganham salários ínfimos e vão atrás de fama e fortuna no beisebol norte-americano.

Em 2002, Cuba perdeu seu melhor lançador, Jose Contreras, para o New York Yankees. Ele atualmente joga pelo Chicago White Sox.

Assim que estrelas do beisebol começaram a desertar, seus nomes desapareceram da imprensa oficial de Cuba, ainda que os cubanos seguissem falando sobre eles nas esquinas.

A exibição do documentário em horário nobre surpreendeu os cubanos, alguns dos quais viram o fato como um sinal de maior tolerância e debate em Cuba desde que o líder cubano Fidel Castro adoeceu e passou a missão de dirigir o país a seu irmão Raúl em 2006. Em um discurso feito em 28 de dezembro último, Raúl Castro disse que há "um excesso de proibições" em Cuba que fazem mais mal que bem ao país.

Hernandez elogiou a transmissão do programa. "Eu imagino que o documentário será uma lufada de ar fresco na televisão para os cubanos", disse ele para El Nuevo Herald, jornal de língua espanhola baseado em Miami.