Sem artilheiro, seleção lamenta jejum de gols

quinta-feira, 4 de setembro de 2008 19:39 BRT
 

Por Pedro Fonseca

TERESÓPOLIS (Reuters) - A escassez de homens de frente com poder de decisão, uma marca registrada do estilo de jogo brasileiro, tem sido um problema para o técnico Dunga, ex-volante conhecido pelo vigor na marcação e cada vez mais criticado pelas atuações defensivas do Brasil.

Leônidas da Silva, Pelé, Garrincha, Jairzinho, Romário e, mais recentemente, Ronaldo, são exemplos que dispensam apresentação no quesito fazer gol. Por outro lado, o técnico Dunga vive a chamada "entressafra" no setor e tem apostado suas fichas em jogadores ainda não consolidados, algumas vezes nem mesmo em seus próprios clubes.

Há três jogos a seleção brasileira principal não marca gols, jejum que, somado à derrota por 3 x 0 para a Argentina na semifinal da Olimpíada de Pequim, levou os ex-craques Pelé e Maradona a lamentarem a falta de ofensividade do Brasil. Até a Fifa, em uma reportagem no site oficial da entidade que fala sobre o atual momento complicado da seleção, diz que a confiança de outrora do Brasil foi "substituída por dúvidas e vulnerabilidade".

"A melhor seleção do mundo vivendo este momento não é legal. Nós temos que jogar para frente, jogar com alegria, e criar o máximo de oportunidades possível. Acho que criar as oportunidades é o caminho para quebrar esse jejum de gols", disse o atacante do Sevilla Luis Fabiano, que treinou nesta quinta-feira como homem de referência na frente, no primeiro coletivo da equipe para o jogo de domingo contra o Chile, pelas eliminatórias da Copa do Mundo.

SEM GOL HÁ 3 MESES

O último gol marcado pelo time principal do Brasil já faz mais de três meses, anotado por Robinho na vitória por 3 x 2 contra o Canadá, num amistoso em 31 de maio. Depois, o time passou em branco nas derrotas para Venezuela (amistoso) e Paraguai e no 0 x 0 com a Argentina, os dois últimos também pelas eliminatórias. Com esses resultados, o Brasil caiu para 5 lugar no torneio classificatório para a Copa do Mundo de 2010.

Desde a fracassada campanha no Mundial de 2006, quando os até então homens-gol do Brasil Ronaldo e Adriano decepcionaram, a seleção ainda não encontrou um jogador que desequilibrasse na frente. Jogando mais recuados, Robinho, Kaká e Ronaldinho Gaúcho, este em raras ocasiões, até tiverem bons momentos na equipe.

Mas nada que se compare com que fizeram ultimamente o próprio Ronaldo, na Copa de 2002 -- foi artilheiro e levou o Brasil ao pentacampeonato -- e Romário, no Mundial de 1994 -- também fez gols decisivos na campanha do tetra.   Continuação...