Migrantes sofrem abusos em obras olímpicas de Pequim, diz ONG

quarta-feira, 12 de março de 2008 17:26 BRT
 

Por Lindsay Beck

PEQUIM (Reuters) - Os milhares de migrantes que trabalham nas obras para a Olimpíada de Pequim sofrem explorações rotineiras e carecem de proteção, benefícios e direito a greve, disse na quarta-feira relatório da organização não-governamental nova-iorquina Human Rights Watch.

O texto diz que os operários trabalham em condições perigosas, não têm acesso a atendimento médico e muitas vezes nem salário recebem.

"Apesar de anos de retórica governamental, os empregadores ainda enganam os operários da construção em seus suados salários", disse Sophie Richardson, diretora de ativismo do grupo para a Ásia.

"E quando se trata de serviços sociais básicos, o governo ainda discrimina contra os migrantes", disse ela em nota.

Pequim é atualmente um mar de guindastes, em meio às obras de instalações esportivas, vilas olímpicas e reformas de bairros inteiros. Há mais de 1 milhão de operários da construção na cidade, e a maioria dorme em acampamentos precários nas próprias obras, onde são vulneráveis a acidentes de trabalho e exploração dos patrões.

O vice-prefeito Ji Lin disse que a cidade "dedicou grande preocupação" às condições dos operários. "Se qualquer abuso for descoberto durante este processo, vamos tomar as medidas apropriadas segundo a lei", afirmou Ji em entrevista coletiva.

Mas a Human Rights Watch diz que há uma discriminação institucionalizada devido ao sistema "hukou", relativo ao registro de moradia de cada cidadão. Esse sistema serve para controlar o êxodo rural, mas acaba fazendo com que muitos migrantes se instalem irregularmente nas cidades, sem acesso a benefícios sociais.

Acabar com esse sistema, segundo o relatório, "facilitaria que os empregados prestassem queixas e que as autoridades punissem empregadores que violam as leis trabalhistas".

O ministro do Trabalho, Tian Chengping, disse recentemente a jornalistas que os migrantes deveriam receber as mesmas proteções destinadas a moradores de cidades, mas indicou que não há planos imediatos para abandonar o sistema "hukou", adotado há décadas.

(Reportagem adicional de Ian Ransom)