Parlamento da UE cogita boicote à abertura dos Jogos em Pequim

segunda-feira, 7 de abril de 2008 15:05 BRT
 

Por Darren Ennis

BRUXELAS (Reuters) - O Parlamento Europeu deve pedir na quarta-feira que os líderes da União Européia (UE) boicotem a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim se a China não der início a negociações com o Dalai Lama a respeito dos recentes episódios de violência verificados no Tibet.

Os principais grupos políticos da assembléia da UE reuniram-se na segunda-feira para acertar um acordo suprapartidário estabelecendo a forma pela qual o bloco, composto por 27 países-membros, deveria responder às manifestações antigoverno ocorridas no mês passado naquela região do Himalaia.

A resolução, a ser votada na quarta-feira e obtida pela Reuters, diz o seguinte: "O Parlamento Europeu convoca a Presidência da UE em exercício a encontrar uma postura comum da UE com vistas ao comparecimento à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos com a opção de não-comparecimento caso não haja uma retomada do diálogo entre as autoridades chinesas e Sua Santidade o Dalai Lama".

No mês passado, a capital do Tibet, Lhasa, transformou-se em centro das manifestações realizadas por monges budistas contrários ao domínio chinês. O governo da China acusou o Dalai Lama, que vive exilado na Índia, de ter arquitetado os protestos.

O líder espiritual do Tibet nega ter incitado os violentos distúrbios e disse que deseja conversar com a China a fim de discutir a autonomia da região, e não sua independência. O governo chinês recusa-se a conversar com o Dalai Lama.

Até agora, a Eslovênia, que ocupa atualmente a Presidência rotativa da UE, e autoridades importantes do bloco condenaram os distúrbios em Lhasa, que mancharam os preparativos realizados pela China antes dos Jogos.

Essas autoridades defenderam a realização de negociações, mas não chegaram a pedir um boicote às Olimpíadas.

"Essa resolução a ser adotada pelo Parlamento manda um ultimato à China para que negocie com o Dalai Lama sob a ameaça de haver um boicote", disse à Reuters um importante membro do Parlamento familiarizado com a elaboração do documento.   Continuação...