8 de Abril de 2008 / às 11:49 / 9 anos atrás

Parlamento da UE cogita boicote à abertura dos Jogos em Pequim

Por Darren Ennis

BRUXELAS (Reuters) - O Parlamento Europeu deve pedir na quarta-feira que os líderes da União Européia (UE) boicotem a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim se a China não der início a negociações com o Dalai Lama a respeito dos recentes episódios de violência verificados no Tibet.

Os principais grupos políticos da assembléia da UE reuniram-se na segunda-feira para acertar um acordo suprapartidário estabelecendo a forma pela qual o bloco, composto por 27 países-membros, deveria responder às manifestações antigoverno ocorridas no mês passado naquela região do Himalaia.

A resolução, a ser votada na quarta-feira e obtida pela Reuters, diz o seguinte: “O Parlamento Europeu convoca a Presidência da UE em exercício a encontrar uma postura comum da UE com vistas ao comparecimento à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos com a opção de não-comparecimento caso não haja uma retomada do diálogo entre as autoridades chinesas e Sua Santidade o Dalai Lama”.

No mês passado, a capital do Tibet, Lhasa, transformou-se em centro das manifestações realizadas por monges budistas contrários ao domínio chinês. O governo da China acusou o Dalai Lama, que vive exilado na Índia, de ter arquitetado os protestos.

O líder espiritual do Tibet nega ter incitado os violentos distúrbios e disse que deseja conversar com a China a fim de discutir a autonomia da região, e não sua independência. O governo chinês recusa-se a conversar com o Dalai Lama.

Até agora, a Eslovênia, que ocupa atualmente a Presidência rotativa da UE, e autoridades importantes do bloco condenaram os distúrbios em Lhasa, que mancharam os preparativos realizados pela China antes dos Jogos.

Essas autoridades defenderam a realização de negociações, mas não chegaram a pedir um boicote às Olimpíadas.

“Essa resolução a ser adotada pelo Parlamento manda um ultimato à China para que negocie com o Dalai Lama sob a ameaça de haver um boicote”, disse à Reuters um importante membro do Parlamento familiarizado com a elaboração do documento.

“Basicamente a mensagem é esta: conversem com o Dalai Lama antes de agosto ou corram o risco de ver um estádio meio vazio e mais situações embaraçosas.”

A votação de quarta-feira acontece em Bruxelas depois de a tocha olímpica ter encontrado manifestantes pró-Tibet em Londres, no domingo, e em Paris, um dia depois, obrigando os responsáveis a apagá-la várias vezes.

Os parlamentares europeus, eleitos por voto direto e que participam da estipulação de cerca de 90 por cento das políticas do bloco, não podem determinar os rumos da política externa da UE.

Mas podem exercer uma grande pressão política sobre a Presidência do bloco, sobre a Comissão Européia (seu Poder Executivo) e sobre Javier Solana, alto representante da UE, a fim de que adotem medidas de acordo com a opinião deles.

No mês passado, o presidente do Parlamento europeu, Hans-Gert Poettering, um aliado da primeira-ministra alemã, Angela Merkel, disse que o bloco avaliaria a possibilidade de não participar da cerimônia de abertura em Pequim.

Alguns líderes e ministros das Relações Exteriores de países-membros da UE, como o chanceler da França, Bernard Kouchner, também aventaram a hipótese de não participar dos Jogos.

Há dirigentes para os quais os dois assuntos não deveriam ser misturados, ao passo que outros preocupam-se com a possibilidade de um eventual boicote prejudicar os lucrativos negócios com a China.

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