23 de Outubro de 2007 / às 02:55 / 10 anos atrás

ENTREVISTA-Parreira diz que falta um "homem gol" ao Brasil

Por Rodrigo Viga Gaier

<p>Parreira diz que falta um 'homem gol' ao Brasil. O t&eacute;cnico Carlos Alberto Parreira encontra tempo para acompanhar a sele&ccedil;&atilde;o brasileira e avalia que mesmo depois de um ano de trabalho, Dunga ainda n&atilde;o encontrou o seu 'homem gol' ideal. Foto de Arquivo. Photo by Sergio Moraes</p>

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Cheio de desafios para montar um time forte para a África do Sul até a Copa do Mundo de 2010, o técnico Carlos Alberto Parreira encontra tempo para acompanhar a seleção brasileira e avalia que mesmo depois de um ano de trabalho, Dunga ainda não encontrou o seu “homem gol” ideal.

Parreira acredita que Afonso e Vágner Love são apenas esperanças e que a solução estaria num esquema em que a seleção possa prescindir de um finalizador tradicional.

“Vai começar a eliminatória e falta o Dunga definir o homem gol”, disse Parreira em entrevista à Reuters por telefone.

Para ele, o atacante Ronaldo, do Milan, continua sendo o melhor centroavante do Brasil. “O Ronaldo é o nosso melhor atacante sem dúvida. Agora, ele tem que querer voltar a ter um espírito de seleção brasileira. Não ser o melhor. Tem que jogar, se doar e fazer sacrifícios”, destacou Parreira.

“Os sete gols que o Afonso fez não são suficientes para transformá-lo num novo Ronaldo. O Ronaldo é uma referência e o Afonso apenas uma esperança”, acrescentou.

Parreira foi o primeiro técnico a convocar Ronaldo para a seleção e o incluiu no grupo campeão da Copa de 1994. No Mundial de 2006, também sob o comando do treinador, o atacante foi titular, apesar das críticas de que estaria acima do peso.

Em dúvida se Ronaldo, 31, tem o desejo de voltar à rotina da seleção brasileira, Parreira entende que o trio Kaká, Ronaldo e Robinho pode ser a solução do problema que se apresenta desde o fim da Copa da Alemanha. “Futebol não tem fórmula matemática. De repente, pelo talento desses atletas, a seleção encaixa sem centroavante.”

A seleção brasileira se prepara em Teresópolis para a estréia nas eliminatórias da Copa da África do Sul --o time vai enfrentar a Colômbia, em Bogotá, no domingo, e o Equador, na semana que vem, no Rio de Janeiro.

O ex-treinador da seleção considera os primeiros adversários complicados, mas não vê riscos de o Brasil ficar fora do Mundial. “Tecnicamente o Brasil é muito superior aos demais junto com a Argentina”, disse o técnico da África do Sul.

“JOGO FEIO E DE CHUTÃO”

Com sua seleção já garantida na Copa por ser a sede do Mundial em 2010, Parreira tem muitas dificuldades para montar uma equipe forte.

O treinador reclamou da falta de investimentos nas categorias de base dos clubes sul-africanos, do elevado número de estrangeiros na Liga de Futebol Profissional e do grande número de atletas jogando no exterior.

“Aqui o trabalho é duro porque não tem divisão de base. Os clubes têm donos e para eles investir na base é prejuízo. Tem muitos jogadores no exterior que só agora teremos um cliping semanal. Além disso, os clubes têm meio time de estrangeiros”, afirmou ele, destacando que nos 16 clubes que participam da Liga há 110 jogadores de fora.

Outro desafio de Parreira, que já testou cerca de 80 jogadores, é tentar implantar um estilo de jogo parecido com o da seleção brasileira. “Há uma influência inglesa no futebol. É um jogo feio e de chutão. Os sul-africanos são habilidosos e estamos tentando fazer com que eles joguem mais com a bola no chão”, afirmou o treinador.

Apesar das dificuldades e da saudade de casa e da família, Parreira garantiu que não pretende desistir do ideal de dirigir a seleção da África do Sul na Copa de 2010.

“As pessoas me param na rua e já falam que a Copa tem que ficar na África do Sul. Minha expectativa é passar da próxima fase e depois seguir”, declarou o treinador, ao lembrar que seleções de menor tradição como Estados Unidos, Coréia do Sul e México chegaram à segunda fase quando sediaram Mundiais.

Parreira afirmou ainda que as obras para a Copa estão adiantadas e que devem ser concluídas um ano antes do início do Mundial. Segundo ele, quatro estádios de rúgbi serão adaptados e seis novas arenas serão construídas.

“Não falta dinheiro por aqui. O país é rico, bonito, tem atrações turísticas, história e diversidade cultural”, avaliou o técnico brasileiro.

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