Para chegar ao ouro, o que vale é o pensamento positivo no vôlei

quinta-feira, 21 de agosto de 2008 02:06 BRT
 

Por Alberto Alerigi Jr.

PEQUIM (Reuters) - A seleção feminina de vôlei veio para Pequim com uma equipe técnica toda formada por homens, à exceção de Sâmia Hallage, psicóloga do esporte que acompanha o time na caminhada para a conquista da inédita medalha de ouro.

A idéia do técnico José Roberto Guimarães de ter uma psicóloga na comissão técnica é propiciar a suas jogadoras uma preparação "completa", depois do trauma sofrido em Atenas-2004, quando o Brasil perdeu seis match points para a Rússia na semifinal e acabou não conseguindo a medalha de bronze.

Convocada no final do ano passado para acompanhar o time feminino, Hallage trabalha há 12 anos com vôlei no Brasil, mas atuando mais nas categorias de base. Apesar de fazer parte da comissão técnica, ela não conseguiu credenciamento para ficar no mesmo prédio das atletas na Vila Olímpica, mas visita as jogadoras com frequência enquanto o time tenta uma medalha de ouro em Pequim.

"O Zé (Roberto) acha que é preciso somar esforços nesse momento e me chamou justamente para que o time tenha uma preparação completa", disse a psicóloga enquanto almoçava na zona internacional da Vila Olímpica, na quarta-feira. "A grande maioria dos times grandes tem acompanhamento psicológico", acrescentou.

Segundo ela, as jogadoras do Brasil ganharam experiência, e o acompanhamento psicológico de longo prazo contribui para blindar o time contra a pressão. Depois de um trabalho inicial que envolve dinâmicas de grupo, ensinamento de técnicas de concentração e palestras, Hallage diz que o momento agora é de fazer um balanço das realizações do time na temporada.

"Como a parte psicológica tem que ser trabalhada no longo prazo também, assim como a técnica e o trabalho físico, não adianta nada fazer palestras em cima da hora", disse ela. "Para o atleta que vive um momento de decisão, a dica é pensar em tudo o que ele fez de positivo, em todo o treinamento que passou, e vitórias. Isso dá um pique maior na hora", disse a psicóloga.

E o time tem o que lembrar este ano, depois de ter conseguido vencer o Grand Prix disputado no Japão, após um quinto lugar em 2007.

Para Hallage, o segredo para deixar de lado as preocupações da decisão é o bom e velho pensamento positivo. "O que a gente pensa, altera o que a gente faz. A ciência do comportamento humano mostra que o que você pensa modifica o seu comportamento", disse a psicóloga.

Agora que a seleção está a duas vitórias da sonhada medalha de ouro olímpica, Hallage disse que o time está mentalmente preparado para enfrentar a guerra de nervos da fase decisiva da competição e está focado no jogo contra a China pelas semifinais, que acontece ainda nesta quinta-feira, depois de ter tido uma campanha com 100 por cento de aproveitamento nessa Olimpíada, vencendo todos os jogos até agora por 3 sets a 0.