Chineses pedem boicote à França contra independência do Tibete

sábado, 19 de abril de 2008 16:28 BRT
 

Por Ben Blanchard

PEQUIM (Reuters) - Chineses saíram às ruas em várias cidades neste sábado para condenar os pedidos de independência do Tibete e pedir um boicote aos produtos franceses, após os protestos contra o governo da China durante a passagem da tocha olímpica em Paris.

Imagens da cidade central de Wuhan mostraram multidões marchando com cartazes de "Oponha-se à independência do Tibete, apoie as Olimpíadas" e "Diga não aos produtos franceses".

Houve protestos similares em Hefei, no sudeste, e em Kunming, no sudoeste do país, com manifestantes diante de filiais da cadeia de supermercados francesa Carrefour.

Em Pequim, houve um pequeno protesto em um supermercado da rede, mas a polícia logo interveio.

"Estamos tentando despertar o patriotismo dos chineses para permitir que eles façam um esforço pelos Jogos Olímpicos e trabalhem juntos no protesto contra as atividades separatistas do Tibete", disse um manifestante, que não quis se identificar.

Um pequeno grupo de pessoas se reuniu próximo à embaixada francesa para protestar contra a perturbação da passagem da tocha olímpica em Paris, com cartazes que diziam: "O Tibete pertence à China" e "Calem-se, franceses". A polícia interditou a rua da embaixada e o grupo logo se dispersou.

Em Paris, chineses com bandeiras em apoio às Olimpíadas protestaram contra a maneira como a situação no Tibete vem sendo retratada na mídia ocidental. "Estou muito bravo com os franceses. Eles são ignorantes em relação à situação no Tibete", disse Xi Shengjun, que disse ser funcionário de uma empresa francesa em viagem de negócios. "Eles só sabem o que ouviram de sua mídia e isso não é a verdade", afirmou.

A França vem tentando minimizar o boicote a seus produtos, dizendo que ele está sendo feito apenas por uma minoria. O jornal oficial China Daily reproduziu declarações do embaixador francês na China, Herve Ladsous, que lamentou os conflitos durante a passagem da tocha em Paris e disse que iria pessoalmente se encontrar com o atleta chinês deficiente atingido pelos protestos no país. "Eu sinto muito o que aconteceu durante a passagem da tocha em Paris", ele disse.   Continuação...