17 de Agosto de 2008 / às 15:41 / 9 anos atrás

Cotovelos prontos, nadadores se aquecem para maratona aquática

Por John Chalmers

PEQUIM (Reuters) - O estilo de nadar relativamente calmo das piscinas vai ser substituído nesta semana por cotoveladas e puxões na maratona aquática em águas abertas dos Jogos de Pequim.

Comparar a piscina ao nado em mar aberto, de acordo com os nadadores da prova de 10 quilômetros que estréiam nesta Olimpíada, é como colocar xadrez e boxe na mesma categoria.

O anúncio do site especializado 10kswimmer.com relata a resistência física exigida das mulheres e dos homens que irão mergulhar nas águas da raia de canoagem Shunyi, fora de Pequim, na quarta e quinta-feira próximas:

"Sem coragem, nada de glória. Sem dor, nada de vitória. Sem risco, nada de recompensa. Sem raias, nada de limites. Sem paredes, nada de misericórdia." "Todos lutam pela linha interior, são cotovelos se esbarrando na água e coisas assim", disse a sul-africana Natalie du Toit, uma das adversárias das brasileiras Poliana Okimoto e Ana Marcela Cunha na maratona da Olimpíada.

"Muitos de nós saem com o olho roxo e alguns até com as córneas arranhadas", acrescentou.

O australiano Grant Hackett, campeão dos 1.500 metros livre em Sydney-2000 e Atenas-2004, tentou se classificar para nadar a maratona aquática e acabou sendo visto como alvo por seus rivais. Ele foi desclassificado depois de tentar se livrar das dificuldades nadando por cima das pernas de um adversário.

"Vi algumas vezes pessoas batendo nele e nadando por cima dele, machucando-o claramente, e no final ele ficou sem energia", disse seu compatriota Ky Hurst.

Na primeira Olimpíada moderna, em 1896, os eventos de nado foram realizados em mar aberto perto de Piraeus, na Grécia.

A disputa da natação nos Jogos de Paris, quatro anos depois, foi realizada no rio Sena, com correnteza e tudo, e as competições incluíram uma prova de obstáculos que exigia que os doze participantes escalassem um poste, passassem por cima de uma primeira fileira de barcos e nadassem sob uma segunda fileira.

Pode haver ecos desse espetáculo na maratona desta semana, quando os nadadores estiverem lutando pelo primeiro lugar, juntando-se em um amontoado enquanto circundam as bóias que demarcam o percurso.

As trombadas e cotoveladas devem acontecer nas 'pontes de abastecimento', onde os técnicos oferecem bebidas energéticas aos nadadores na ponta de varas. Os nadadores têm que agarrar, beber e seguir adiante, e se os treinador caírem na água, o atleta é desclassificado.

Mas as provas desta semana podem ser mais sofisticadas, porque o número de competidores foi limitado a 25 por prova.

Talvez a competidora mais conhecida seja Du Toit, que perdeu uma perna em um acidente de moto em 2001 e carregou a bandeira sul-africana na abertura dos Jogos chineses.

Ela pretende se tornar a primeira amputada a conquistar uma medalha em uma Olimpíada em quase 60 anos, embora suas chances sejam pequenas.

Entre as mulheres, todos as atenções se concentram sobre a russa Larisa Ilchenko, que dominou nos últimos cinco anos, a britânica Cassandra Patten e a norte-americana Chloe Sutton.

Os favoritos entre os homens são o russo Vladimir Dyatchin, o alemão Thomas Lurz e o britânico David Davies. O Brasil será representado por Allan do Carmo.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below