5 de Agosto de 2008 / às 10:25 / 9 anos atrás

"Exército" de voluntários toma as vilas e ginásios de Pequim

<p>Volunt&aacute;rios descansam durante treino de ciclismo REUTERS. Photo by Jacky Naegelen</p>

Por Marcelo Teixeira

PEQUIM (Reuters) - Uma das coisas que primeiro chama a atenção de qualquer um que chega a um dos locais oficiais dos Jogos Olímpicos de Pequim, seja uma das vilas ou algum local de treinamento, é a quantidade de voluntários.

Extremamente solícitos, e invariavelmente mantendo um grande sorriso no rosto, eles criam situações engraçadas, ou mesmo constrangedoras.

O comitê organizador dos Jogos recrutou 100 mil voluntários para colaborar com serviços diversos durante a competição.

Em geral, são estudantes universitários que estão aproveitando ao máximo a oportunidade para fazer contato com estrangeiros, algo que tradicionalmente não é comum no país, apesar de isso estar mudando com o desenvolvimento econômico. Mais de 200 mil estudantes se candidataram para ajudar nos Jogos.

O jornalista que chega à maior das duas vilas que hospedam os representantes de mídia, por exemplo, passa por ao menos uns 20 voluntários, desde que desce do ônibus até chegar ao quarto.

Uns vão indicando o caminho até a recepção, onde normalmente se é atendido por uma dupla, e depois, como uma prova de revezamento, eles vão repassando o visitante, com as malas, um para o outro na condução até o prédio, e depois até o quarto.

"Pensei em dar uma gorjeta para o primeiro que me ajudou com a mala, mas depois que ela foi repassada para o terceiro, quarto ou quinto, desisti", disse um jornalista brasileiro recém-chegado à North Star, a maior das duas vilas montadas para hospedar parte dos 21.500 jornalistas que cobrem os Jogos.

Um fotógrafo australiano contou que passou por uma situação inusitada ao estrear o bar da vila.

"Quando sentei vi que estavam lá umas 12 pessoas pra me servir. Um pegou o pedido, o outro alcançou a cerveja no refrigerador, um terceiro abriu a garrafa, um quarto a trouxe pra mim."

Pode ser resposta padrão, mas dizem que estão gostando muito de auxiliar nos Jogos, até mesmo os que ficam abrindo as portas dos prédios (há sempre pelo menos dois deles para esse serviço, dois para cada porta).

Na recepção principal do MPC (Main Press Center), onde grande parte dos jornalistas trabalha durante as Olimpíadas, qualquer requisição de detalhes sobre o endereço de um treino ou de um evento causa um pequeno alvoroço.

Três ou quatro meninas conversam rapidamente em chinês buscando descobrir a exata localização, e depois uma delas anota as direções em chinês para ser entregue ao taxista, incluindo o número do telefone dela para que o condutor ligue e peça detalhes, se precisar.

Um dos voluntários que auxiliou a imprensa brasileira no jogo-treino contra a Espanha, na segunda-feira, disse que estuda petroquímica, na Universidade de Pequim, e que estava gostando da experiência de colaborar nas Olimpíadas.

Ele distribuiu garrafas de água aos jornalistas e não demonstrou decepção por não ver o jogo, já que não podia deixar a ante-sala do ginásio, onde estava posicionado.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below