20 de Junho de 2008 / às 14:27 / 9 anos atrás

China reforça segurança no Tibete para passagem de tocha

Por Chris Buckley

LHASA, China (Reuters) - A capital do Tibete, Lhasa, amanheceu sob um forte esquema de segurança na sexta-feira enquanto se preparava para receber a tocha olímpica, numa demonstração do rígido controle chinês sobre a instável região.

Enquanto um grupo de jornalistas estrangeiros desembarcava em Lhasa para observar a passagem da tocha, policiais montavam guarda a cada 200 metros nas ruas da cidade. Caminhões carregados com soldados e policiais também circulavam por Lhasa.

Mensagens colocadas em outdoors e nos muros de vilarejos davam as boas-vindas ao símbolo dos Jogos Olímpicos e pediam aos moradores da região que não causassem problemas durante a passagem da tocha, que atravessará Lhasa, uma cidade localizada 3.650 metros acima do nível do mar, no sábado, diante de grupos de pessoas selecionadas a dedo.

“Protejam a ordem social e a estabilidade,” afirmava uma das mensagens. “Saúdem harmoniosamente os Jogos Olímpicos”, dizia uma outra.

O centro histórico da civilização tibetano-budista voltará à cena três meses depois de grandes manifestações antigoverno e de um violento levante contra o controle chinês sobre a região, ao que se seguiram ondas de protesto sufocadas somente com o envio de um grande número de soldados à área.

Apesar de as autoridades não terem poupado esforços para evitar novos atos anti-China que atrapalhariam a passagem da tocha, o forte esquema de segurança servirá como um lembrete inegável do clima tenso instalado atualmente na região.

A China culpou os “assessores” do Dalai Lama, o líder budista reverenciado pela maioria dos tibetanos e que hoje vive no exílio, de instigar as manifestações para atrapalhar os Jogos Olímpicos de agosto.

O Dalai Lama rebateu a acusação e disse ser favorável à Olimpíada. Mas muitos exilados tibetanos são contrários ao evento e, em especial, à passagem da tocha pelo Tibete.

“Já que esse é um momento de orgulho para o povo chinês, o Dalai Lama apelou aos tibetanos para que não realizam protestos”, disse Tenzin Taklha, importante assessor do líder espiritual. As declarações dele foram dadas em Dharamsala, uma cidade indiana onde fica instalado o governo tibetano no exílio.

Contrariando as promessas de permitir um acesso irrestrito dos meios de comunicação durante os Jogos, a China deixou que apenas um grupo selecionado de jornalistas, acompanhado de autoridades, ingressasse em Lhasa para ver a passagem da tocha. E a cidade continua fechada para os meios de comunicação que não tenham ligação com o governo chinês.

Os tibetanos exilados e grupos de defesa dos direitos humanos disseram que a passagem do símbolo olímpico pelo Tibete representava um tapa na cara que serviria apenas para isolar ainda mais os tibetanos.

Reportagem adicional Bappa Majumdar em Nova Délhi

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below