COI diz que mídia deveria ter sido informada da censura olímpica

quinta-feira, 31 de julho de 2008 10:14 BRT
 

Por Paul Radford

PEQUIM (Reuters) - Os jornalistas internacionais deveriam ter sido avisados de antemão de que não teriam acesso total à Internet durante a Olimpíada de Pequim, disse nesta quinta-feira à Reuters o chefe de imprensa do Comitê Olímpico Internacional (COI), Kevan Gosper.

Ele disse que, a exemplo dos demais jornalistas, também foi pego de surpresa pela descoberta de que alguns sites "delicados" estão bloqueados na China -- contrariando a promessa dos organizadores locais de que haveria plena liberdade de trabalho para a imprensa durante os Jogos, de 8 a 24 de agosto.

"Está claro que eu forneci informações incompletas em nome do COI", disse Gosper, afirmando nunca ter sido avisado das discussões sigilosas entre o COI e o comitê organizador local a respeito das restrições a sites que não sejam diretamente ligados à Olimpíada.

"Se eu e a imprensa internacional tivéssemos sido avisados antes deste entendimento de que certos sites seriam inacessíveis, não teríamos sido pegos de surpresa, como eu próprio fui", disse ele. A entidade Anistia Internacional condenou as restrições à Internet durante os Jogos, o que estaria "comprometendo direitos humanos fundamentais e traindo os valores olímpicos".

"Esta flagrante censura à imprensa soma mais uma promessa violada que abala a afirmação de que os Jogos ajudariam a melhorar os direitos humanos na China", disse nota assinada por Mark Allison, pesquisador da Anistia para o Extremo Oriente.

Sun Weide, porta-voz do Bocog (comitê organizador de Pequim) disse que a censura não impedirá os jornalistas de cobrir os Jogos, mas admitiu que não haverá acesso a alguns sites, como os da seita Falun Gong, "uma religião falsa que foi proibida pelo governo chinês".

"Segundo a lei chinesa, a Internet não pode ser usada para transmitir informações que sejam ilegais, como promover o culto maligno Falun Gong. Nada pode aparecer que ameace o interesse nacional", disse Sun a jornalistas, nesta quinta-feira.

Nos últimos meses, o Bocog havia dado reiteradas garantias de que haveria acesso normal da imprensa à Internet em Pequim.

(Reportagem adicional de Ben Blanchard, Lindsay Beck e Chris Buckley)