China considera manter liberdades à imprensa após Olimpíada

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007 09:37 BRST
 

Por Lindsay Beck

PEQUIM (Reuters) - As regras destinadas a facilitar o trabalho da imprensa estrangeira durante a Olimpíada de 2008 provavelmente serão mantidas depois dos Jogos de Pequim, disseram autoridades na quinta-feira.

Desde o primeiro dia de 2007, a China permite que jornalistas estrangeiros viajem e trabalhem mais livremente no país -- até então, era preciso uma autorização especial para deixar a cidade que servia de base ao correspondente.

"Nenhum documento diz que quando este novo regulamento expirar, em 17 de outubro do ano que vem, iremos voltar ao regulamento prévio", disse Cai Wu, ministro-chefe do Escritório de Informação do Conselho de Estado.

"Se a prática demonstrar que isso ajudará a comunidade internacional a saber melhor sobre a China e se for do interesse dos esforços da China por reformas e abertura, não será necessário de forma alguma para nós mudar uma boa política", afirmou Cai.

Entidades de defesa dos direitos humanos criticam vários aspectos da realização da Olimpíada na China, inclusive as restrições à imprensa. O Comitê para a Proteção de Jornalistas diz que a China é o país do mundo que mais prende jornalistas e escritores e que a imprensa local é fortemente cerceada.

Embora esteja mais fácil viajar ao interior chinês, os jornalistas estrangeiros muitas vezes são intimidados e até detidos por autoridades locais que violam as regras ou dizem desconhecê-las.

Segundo Cai, o governo reconhece a necessidade de melhor orientação em nível local, especialmente para os funcionários públicos que têm pouco contato com a imprensa estrangeira.

Ele admitiu também que há imperfeições no sistema oficial de nomeação de porta-vozes para os principais ministérios e departamentos -- um divisor de águas em um país em que até as informações mais básicas costumam ser tratadas como segredo de Estado.

Na maioria dos casos, os escolhidos não são assessores de imprensa competentes, e sim profissionais em cargos políticos, sem experiência em lidar com jornalistas.