História dos Jogos de Berlim-36 assombra dissidentes chineses

segunda-feira, 28 de julho de 2008 12:52 BRT
 

Por Michael Perry

SYDNEY (Reuters) - Um dos mais conhecidos dissidentes chineses, Chen Ziming, torce para que a Olimpíada de Pequim tenha mais semelhanças com a de Seul-88 e leve a uma reforma política do que com a de Berlim-36, voltada para a propaganda nazista.

Chen e o também dissidente Wang Juntao temem que nada vá mudar na China depois da Olimpíada de agosto, apesar da presença de alguns reformistas dentro do governo.

"O governo chinês, os intelectuais e a população em geral, todos nós esperamos que a Olimpíada seja um sucesso", disse Chen na segunda-feira em Sydney, durante sua primeira viagem ao exterior.

"Esperamos ver o resultado da Olimpíada de Seul, que estimularia a abertura política e a melhora nos direitos humanos e ajudaria no progresso da mudança estrutural do sistema político", disse Chen, considerado um dos mentores dos protestos de 1989 na praça da Paz Celestial. Em 1991, ele foi condenado a 13 anos de prisão.

"Mas há também uma força contrária a tal desejo, que é o grupo de elite atualmente no poder. Eles são uma força negativa que está empurrando a Olimpíada para ser mais como a Olimpíada de Berlim em 1936", disse Chen em entrevista coletiva.

"Eles estão tentando usar a Olimpíada para ganhar uma boa reputação no mundo, mas na verdade eles são contra as pessoas e contra o mundo", afirmou.

Na época em que realizou a sua Olimpíada, a Coréia do Sul vivia uma crise política que chegou a ameaçar os Jogos. O presidente Chun Doo Hwawn, que esperava lustrar seu regime autoritário com uma certa legitimidade olímpica, acabou renunciando, pressionado por enormes manifestações estudantis. A Coréia do Sul acabou realizando eleições presidenciais diretas em dezembro de 1987.

O dissidente Wang disse acreditar que o governo promoverá uma repressão após os Jogos, para conter a insatisfação popular com o regime e em especial com o aumento das disparidades sociais na China.

Wang considerou "impossível" que a China se abra graças aos Jogos. "Acho que o governo chinês quer abrir os portões ao mundo, mostrar o sucesso ao mundo, que grande sociedade econômica eles produziram nos últimos 20 anos. Entretanto, há também outros problemas desenvolvidos na China, e eles não querem que o mundo veja, então têm de fechar a porta agora."