15 de Julho de 2008 / às 14:06 / em 9 anos

ENTREVISTA-Ouro é mais importante que prêmio da Fifa, diz Marta

<p>Foto de arquivo da jogadora brasileira Marta ao receber o pr&ecirc;mio de melhor do mundo da Fifa, em dezembro de 2007. Photo by Arnd Wiegmann</p>

Por Tatiana Ramil

SÃO PAULO (Reuters) - Marta, a melhor jogadora de futebol do mundo, prefere ver a seleção brasileira como a melhor do mundo. A atacante, que viu a medalha de ouro bater na trave em 2004, disse que aprendeu com os erros e está melhor preparada para chegar ao topo do pódio nos Jogos de Pequim.

"Com certeza será o prêmio mais importante da minha carreira", disse Marta, 22, em entrevista à Reuters enquanto distribuía autógrafos aos fãs num shopping de São Paulo, no domingo.

"Eu costumo dar mais valor aos prêmios em grupo do que aos individuais, porque o individual você pode perder um ano, mas no outro você pode trabalhar para ganhar novamente. Olimpíada é de quatro em quatro anos e representar o país... não tem como explicar", disse Marta, eleita duas vezes (2006 e 2007) a melhor jogadora do mundo pela Fifa.

O Brasil chegou perto de ganhar seu primeiro ouro olímpico no futebol nos Jogos de Atenas-2004, quando a equipe feminina perdeu a decisão para os Estados Unidos numa partida muito equilibrada. No ano passado, o time perdeu a final da Copa do Mundo para a Alemanha, também fazendo um bom jogo, no qual desperdiçou várias oportunidades.

"A gente ganhou algo de positivo em relação às competições que participou, vamos sempre ganhando experiência. Com certeza a equipe está bem mais forte agora, melhor preparada psicologicamente para enfrentar uma final novamente", afirmou Marta, que perdeu um pênalti na decisão contra as alemãs.

A melhor do mundo ensina o que a seleção deve fazer para deixar o segundo lugar para trás e levantar o troféu.

"Precisamos ter mais atenção nos detalhes. Quando chegar na cara do gol, tem que fazer o gol. Tem que ter mais paciência, não perder a concentração", disse.

"Foi o que aconteceu contra a Alemanha. A gente chegou com tudo para cima delas, conseguimos várias chances claras e não conseguimos fazer o gol. E aquilo foi frustrando a gente, tanto psicologicamente quanto fisicamente. Chegou uma hora em que não podíamos mais reagir."

ADVERSÁRIAS

Para os Jogos de Pequim, no mês que vem, o Brasil deve manter a base da equipe que conquistou a prata há quatro anos, mas terá o desfalque da capitã e zagueira Aline Pellegrino, com uma lesão no joelho.

A seleção iniciou, dia 1o de julho, a preparação para a Olimpíada com 20 atletas, 15 delas que atuam no Brasil, onde nem sempre elas estão em atividade devido à falta de campeonatos.

Marta só se juntará ao grupo no dia 21, na Suécia, onde ela atua pelo Umea. Outras "estrangeiras" da equipe, Cristiane e Daniela Alves, também se apresentarão na Europa.

O grupo do Brasil em Pequim será formado por Alemanha, Nigéria e Coréia do Norte. A meia-atacante despistou sobre qual será o principal adversário e citou vários candidatos ao título.

"A Alemanha tem sua tradição, é uma equipe muito forte, assim como os Estados Unidos, a Suécia, a China, que jogará em casa, a Nigéria é uma equipe boa, a Coréia do Norte. A gente tem que encarar todas como sendo do mesmo nível", declarou a alagoana, empolgada com os elogios em sua visita ao país.

"Algumas crianças chegam e falam: 'Quero ser como você, quero ser jogadora quando crescer"', disse. "Isso deixa a gente muito feliz. Mostra o quanto você é querido pelas pessoas, o quanto elas admiram o seu trabalho", acrescentou.

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