5 de Agosto de 2008 / às 13:41 / 9 anos atrás

Crises na reta final para Pequim servem de lição, diz COI

Por Karolos Grohmann

PEQUIM (Reuters) - Os preparativos para a Olimpíada de Pequim foram uma experiência extraordinária, mas as crises que marcaram a reta final geram lições importantes para o futuro, disse na terça-feira o Comitê Olímpico Internacional (COI).

No dia do seu relatório final, e a três do início do evento, o inspetor-chefe Hein Verbruggen afirmou que o COI está mais rico em idéias ao final do processo.

“No geral, tem sido uma incrível e extraordinária experiência humana”, disse Verbruggen na sessão do COI. “Estamos aqui para celebrar um momento inesquecível na história olímpica.”

Verbruggen disse que Pequim manteve um ritmo acelerado nos preparativos, mas que as repentinas crises da reta final causaram preocupação.

Como exemplo, ele citou os incidentes durante a passagem da tocha olímpica por vários países, o que poderia ter inclusive levado a boicotes olímpicos, e a questão da censura à Internet para jornalistas que cobrem a Olimpíada.

“A decisão [de realizar os Jogos na China] não poderia se dar sem desafios. Estamos cientes deles, embora às vezes subestimando alguns”, avaliou Verbruggen.

“No futuro, precisamos colocar mais a mão na massa e sermos mais pró-ativos”, acrescentou. “Não podemos permitir que sejamos sequestrados por grupos de pressão e interesses disfarçados.”

Dick Pound, dirigente do COI, disse que o Canadá esteve perto de boicotar os Jogos devido aos protestos globais contra a situação dos direitos humanos na China, a repressão no Tibete e o apoio de Pequim ao regime sudanês.

“Na minha parte do mundo, estávamos em pleno modo de boicote”, disse Pound a Verbruggen.

“A opinião pública e a opinião política estavam avançando para um verdadeiro boicote dos Jogos, e só a tragédia do terremoto [de maio em Sichuan] desviou a atenção daquilo que do contrário teria sido seríssimo. Isso esteve muito perto de virar um desastre.”

O terremoto de maio, que matou 70 mil pessoas, provocou uma onda de solidariedade mundial para com a China, o que se refletiu num enorme volume de doações humanitárias.

Verbruggen disse que as crises precisam ser analisadas, mas que o COI claramente não é responsável por fatos alheios ao seu controle.

“Estamos sendo recebidos pelos chineses. Os Jogos devem ser lidos dentro do contexto de cada nação. Do COI e do movimento olímpico não se deve esperar que resolvam questões alheias aos Jogos. Comprometeríamos nosso mandato e nossa responsabilidade se tentássemos resolvê-los.”

O COI admitiu no sábado que pode ter sido ingênuo ao esperar que a China permitisse acesso irrestrito da imprensa estrangeira à Internet durante os Jogos. Vários sites foram bloqueados pelo governo local na semana passada, mas diversos acabaram sendo liberados na quinta-feira, graças à pressão do COI.

O presidente do COI, Jacques Rogge, elogiou os preparativos e a participação popular dos mais de 1,2 milhão de voluntários. “Espero que no dia 24 de agosto [data do encerramento] eu possa dar um aval entusiasmado”, declarou.

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