De saída, presidente da Wada diz que ex-vice sabotou sucessão

quarta-feira, 14 de novembro de 2007 18:07 BRST
 

Por Simon Baskett

MADRI (Reuters) - O presidente da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês), Dick Poung, disse que o processo eleitoral para sua sucessão foi sabotado pela retirada da candidatura européia de Jean-François Lamour.

"O processo saiu dos trilhos porque o candidato que tinha se empenhado muito para se tornar o indicado europeu se retirou sem consultar ninguém", disse Pound numa entrevista coletiva na Conferência Mundial sobre o Doping no Esporte, em Madri.

"Ele não respondeu meus telefonemas, não avisou a França, não avisou as autoridades ou seus colegas. Ele simplesmente foi a uma entrevista coletiva e fez todo um conjunto de comentários críticos à Wada, à própria organização da qual ele era vice-presidente até dez minutos antes de fazer o anúncio", afirmou.

"Foi muito lamentável", disse Pound, conhecido por suas declarações incisivas. "Foi ruim para ele, ruim para a França e ruim para a Europa. Se eles escolheram o candidato errado, que não estava disposto a lutar pela posição da Europa, então é culpa da Europa, mas não podem culpar o resto do mundo por isso."

Lamour, ex-ministro francês dos Esportes, era o favorito para suceder Pound, até que surgiu a candidatura do australiano John Fahey.

"Não quero ser o presidente de um órgão que não tem força e dinamismo para lugar contra o doping", disse Lamour em outubro, ao retirar a candidatura.

Pound defendeu a organização, da qual foi o primeiro e único presidente, dizendo que o novo código antidoping apresentado na conferência de Madri é uma prova do êxito da organização.

"Uma das principais melhorias no código é ter sanções mais duras no caso de doping agravado", disse Pound. "Também queremos garantir que não acabemos tendo sanções fortes demais em casos em que estejamos lidando com doping acidental."

Pound destacou ainda outras medidas, como exames mais rápidos nas amostras "B" em caso de resultado positivo no primeiro exame, e a criação de um teste não-invasivo para detectar sinais de manipulação genética.