July 29, 2008 / 12:12 AM / 9 years ago

Anistia critica China por descumprir promessas olímpicas

4 Min, DE LEITURA

Por James Pomfret

HONG KONG (Reuters) - A entidade Anistia Internacional divulgou na segunda-feira um relatório em que aponta uma piora da situação dos direitos humanos na China nos últimos sete anos e diz que o país descumpriu as promessas que fez para receber a Olimpíada.

A pouco mais de uma semana do início dos Jogos, a Anistia fez uma avaliação sombria dos direitos humanos na China desde 2001, quando Pequim foi escolhida para o evento. Na época, o regime comunista prometeu adequar os direitos humanos aos ideais olímpicos.

"Não houve progresso no sentido de cumprir tais promessas, só uma contínua deterioração", disse a Anistia no relatório intitulado "A contagem regressiva olímpica -- promessas violadas".

"As autoridades usaram os Jogos Olímpicos como pretexto para continuar e em alguns aspectos intensificar as políticas e práticas existentes, que levaram a sérias e disseminadas violações dos direitos humanos", diz o relatório, divulgado em Hong Kong na manhã de terça-feira (segunda à noite no Brasil).

O texto diz que a China coagiu ativistas, jornalistas e advogados a "silenciarem a dissidência" antes dos Jogos. Vários dissidentes foram presos e tiveram suas famílias intimidadas.

"A China realmente precisa libertar ativistas de direitos humanos, a fim de demonstrar que está cumprindo suas promessas", disse Mark Allison, que pesquisa a China para a Anistia em Hong Kong.

O relatório também critica o Comitê Olímpico Internacional (COI) por não pressionar suficientemente Pequim e por "passar uma mensagem de que é aceitável para um governo receber os Jogos Olímpicos numa atmosfera caracterizada pela repressão e a supressão".

O texto cita negativamente a repressão aos distúrbios deste ano no Tibete, quando a região ficou inatingível para jornalistas e houve pessoas presas sem acusação, e o terremoto de meses atrás em Sichuan, quando após alguns dias a liberdade de imprensa inicial foi restringida.

A Anistia disse ainda que o controle sobre a Internet cresceu nos últimos meses, e que o site da Anistia e de alguns veículos estrangeiros de comunicação estão inacessíveis para jornalistas que trabalham no centro olímpico de mídia.

O relatório afirma, porém, que a China fez alguns progressos na reforma da pena de morte e em permitir uma maior cobertura da imprensa internacional no país.

O texto pede à China que liberte imediatamente todos os presos de consciência, permita a plena liberdade de expressão e pare a "limpeza" de dissidentes.

"A menos que as autoridades façam uma rápida mudança de direção, o legado da Olimpíada de Pequim não será positivo para os direitos humanos na China", diz o texto.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below