Favorito no judô, João Derly quer afastar ansiedade

quinta-feira, 15 de maio de 2008 17:52 BRT
 

Por Maurício Savarese

SÃO PAULO (Reuters) - Atual bicampeão mundial, líder do ranking da categoria até 66 quilos em 2006 e ouro no Pan-americano do Rio de Janeiro, João Derly é considerado o maior expoente do judô brasileiro, mas o atleta gaúcho prefere minimizar a pressão por um bom resultado nos Jogos Olímpicos de Pequim.

Recuperando-se de uma lesão no tornozelo, que o impediu de disputar a esvaziada etapa da Copa do Mundo no início do mês em Belo Horizonte, Derly treina em São Paulo para disputar sua primeira Olimpíada --quando já terá 27 anos de idade e poderá aliar melhor, de acordo com ele mesmo, experiência e técnica para derrubar os adversários.

Ele afirma, porém, que nem de longe se sente pressionado para conquistar o ouro na sua estréia nos tatames olímpicos, apesar de saber dos investimentos maiores feitos nos últimos anos em um esporte que traz medalhas ao Brasil há seis Olimpíadas consecutivas.

"Não pode nem ficar pensando nisso de pressão. Não vou jogar para a minha cabeça essa expectativa da torcida, que felizmente para mim é apaixonada, quer ver um brasileiro lá no alto. Eu procuro não sentir essa ansiedade porque não quero vencer a qualquer custo. Quero fazer o meu melhor, fazer em um dia tudo que treinei esses anos", disse Derly à Reuters após um treinamento em São Paulo.

"Hoje eu sou mais cerebral, sei esperar o momento em uma luta e não saio me antecipando, como fazia mais jovem. É assim dentro do tatame e fora. Tem pelo menos oito outros atletas na minha categoria que têm tanta chance de vencer quanto eu", completou.

Derly não foi aos Jogos de Atenas, em 2004, após passar por problemas que incluíram um teste antidoping positivo dois anos antes. Autodenominado atleta de cristo e recém-casado, ele diz viver o melhor momento da sua vida, que espera consolidar conquistando em agosto o ouro olímpico com o qual sonha desde criança.

"Quero isso muito e estou trabalhando em uma equipe na qual todo mundo se sente do mesmo jeito. Dá para ver que além da capacidade todo mundo aqui tem o desejo de vencer cravado no olho. E eu também tenho bastante, não precisa nem pressionar que eu vou me cobrar bastante", brinca.