Parlamento Europeu discute boicote olímpico

quinta-feira, 10 de abril de 2008 10:31 BRT
 

Por Darren Ennis

BRUXELAS (Reuters) - O Parlamento Europeu pediu na quinta-feira aos líderes da União Européia que boicotem a cerimônia de abertura da Olimpíada de Pequim, em agosto, caso a China mantenha sua recusa em discutir a situação do Tibet com o Dalai Lama.

"O Parlamento Europeu pede à Presidência da UE que se empenhe em encontrar uma posição comum da UE a respeito do comparecimento à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, com a opção de não-comparecimento ao evento caso não haja retomada no diálogo entre as autoridades chinesas e Sua Santidade o Dalai Lama", disse a assembléia.

A resolução não é de caráter obrigatório, mas foi adotada por ampla maioria e amplia a pressão sobre os dirigentes da UE para assumir uma posição mais firme contra a repressão chinesa aos recentes protestos no Tibet.

Até agora, a Eslovênia, que preside a UE neste semestre, e autoridades do bloco condenaram a violência no Tibet e pediram a Pequim que abra um diálogo com o líder espiritual a respeito dos direitos culturais e religiosos, mas não chegaram a defender o boicote à Olimpíada. Muitos políticos admitem que o poderio econômico chinês pesa contra esse tipo de protesto.

Na quarta-feira, o governo britânico informou que o primeiro-ministro Gordon Brown não irá à cerimônia de abertura, mas negou que haja um caráter político na ausência. O premiê confirmou presença na cerimônia de encerramento. A Grã-Bretanha receberá os Jogos de 2012, em Londres.

Protestos contra a política chinesa, especialmente em relação ao Tibet, afetaram o percurso da tocha olímpica na Europa e nos EUA, levando a uma reação nacionalista das autoridades e da imprensa chinesas.

A resolução de quinta-feira teve apoio dos principais grupos políticos do Parlamento da UE. Foram 580 votos a favor, 24 contra e 45 abstenções.

Em março, protestos liderados por monges em Lhasa ganharam contornos violentos, se espalharam para províncias vizinhas ao Tibet e foram duramente reprimidos pelas autoridades. Pequim acusa o Dalai Lama, líder budista no exílio, de promover os distúrbios. O Dalai Lama nega, dizendo defender apenas mais autonomia para sua região, mas não o separatismo. O regime comunista rejeita o diálogo com ele.

O Parlamento Europeu, eleito por voto direto, não tem poder direto sobre a política externa européia, mas é uma câmara de ressonância da opinião pública e exerce pressão sobre os Estados membros, a Comissão Européia (Poder Executivo do bloco) e o chefe de política externa da UE, Javier Solana.

(Reportagem de Darren Ennis)