20 de Agosto de 2008 / às 16:57 / 9 anos atrás

Campeão dos 100m, Bolt vence e bate recorde também nos 200m

Por Andrew Cawthorne

PEQUIM (Reuters) - O jamaicano Usain Bolt conquistou o ouro na prova dos 200 metros rasos, na quarta-feira, tornando-se o primeiro homem a vencer as duas provas mais rápidas do atletismo nos Jogos Olímpicos desde Carl Lewis em 1984.

Bolt, cujo pai atribui a velocidade e o poder de explosão do filho a um inhame típico da Jamaica, concluiu a prova em 19,30 segundos (recorde mundial) antes de jogar-se ao chão de alegria.

“Sou o número um”, disse voltado para as câmeras de TV, batendo no peito e distribuindo beijos para a multidão de 91 mil pessoas presente no estádio Ninho de Pássaro.

Bolt havia vencido os 100 metros rasos com facilidade no fim de semana, batendo também o recorde mundial.

Desta vez, o velocista voltou a fazer piada em seu caminho para o bloco de medalhas, disparando uma seta imaginária para o alto. Mas pareceu não brincar ao abrir uma grande vantagem na prova dos 200 metros e cruzar a linha de chegada, derrubando por dois centésimos de segundo o recorde mundial estabelecido por Michael Johnson, em 1996.

Chamando Bolt de o “Super-Homem 2”, Johnson -- que está trabalhando como comentarista para a BBC -- afirmou: “Eu vi a saída dele e pensei apenas: ‘Uau!'. Caras assim tão altos não deveriam ser capazes de largar dessa forma. Ele usou cada gota de energia. Ele queria bater esse recorde.”

Nove homens venceram as provas dos 100 e 200 metros em uma mesma Olimpíada.

Bolt, que completa 22 anos de idade na quinta-feira, sagra-se como herói dos Jogos de Pequim ao lado do nadador norte-americano Michael Phelps, que conquistou oito medalhas de ouro (uma marca inédita).

Da mesma forma como os feitos de Phelps no Cubo d’Água, onde ultrapassou a marca de sete ouros de Mark Spitz (de 1972), deixaram os norte-americanos empolgados, as conquistas de Bolt alimentaram o orgulho nacional da Jamaica.

O corredor alto e magro começou a disputar provas rápidas somente após seu técnico de críquete na escola ter notado a velocidade dele.

Pouco depois do triunfo de Bolt, Melaine Walker fez a alegria da Jamaica aumentar ainda mais, levando o ouro nos 400 metros com barreiras.

PERFOMANCE COLETIVA

Enquanto Bolt e Phelps destacam-se individualmente nos Jogos (que terminam no dia 24 de agosto), coube à China surpreender o mundo com sua atuação conjunta.

Os anfitriões, que no quadro de medalhas ficaram em segundo lugar, atrás dos EUA, em Atenas 2004, ganharam 45 medalhas de ouro até agora, abrindo uma vantagem aparentemente insuperável que sublinha sua emergência como uma superpotência olímpica.

A marca deve deixar em êxtase o governo comunista do país, para quem os Jogos de 43 bilhões de dólares representam um símbolo do novo lugar ocupado pela China dentro do cenário internacional.

O windsurfista chinês Yin Jian abriu caminho para dar a seu país sua primeira medalha de ouro na vela. Pouco depois, Wu Jingyu ficou com o ouro em uma das categorias femininas de taekwondo, garantindo um outro dia bem-sucedido para a China.

Os EUA estão em segundo lugar com 26 ouros (menos que o previsto). Já o próximo país a organizar o evento, a Grã-Bretanha, registra a marca surpreendente de 16 medalhas de ouro, fazendo desta sua melhor participação em uma Olimpíada.

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