Torcedores brasileiros estranham, mas aderem à comida dos Jogos

quarta-feira, 20 de agosto de 2008 01:41 BRT
 

Por Maurício Savarese

PEQUIM (Reuters) - O exotismo de algumas iguarias da culinária chinesa está presente nos locais de competição das Olimpíadas, e os brasileiros, antes reticentes, acabaram aceitando as salsichas de milho, as barras de macarrão instantâneo cruas e os salgadinhos de arroz.

A organização dos Jogos de Pequim proíbe a entrada nos espaços de competição com comida e bebida comprados do lado de fora, o que obriga os torcedores a comer apenas o que está no cardápio oficial, pobre em nutrientes e rico em gordura e carboidratos.

O carioca James Kelmer, 35, veterano de três Olimpíadas, diz que nunca a dieta nos locais de competição foi tão ruim, mas acabou se adaptando aos quitutes chineses conforme os dias passaram.

"No dia da abertura do Ninho de Pássaro eu comi umas duas daquelas salsichas embaladas a vácuo e recheadas de milho. Achei terrível, mas era o mais barato, custava menos de um real. Fui variando e comendo de tudo. Hoje eu já tiro de letra, parece bom até", afirmou o militar da Aeronáutica.

Kelmer também se tornou fã dos artificiais salgadinhos de arroz e do pão doce chinês, que lembra um bolo recheado de frutas. Mas quando o estômago se cansa após um dia inteiro assistindo a competições, ele apela para o suco de laranja e a barra de chocolate.

"Eu não tenho frescura com comida e quando janto, só vou a restaurante chinês. É uma comida deliciosa. Até agora não entendi o motivo de eles não venderem nada daquilo nos locais de competição. Desde minha primeira Olimpíada, em 1996, eu comia e jantava comida de verdade ao lado de onde os esportes rolavam. Desta vez, não dá."

ALMOÇO DIFÍCIL

A dona de casa mineira Idaly Silveira, 57, sente bastante falta de preparar os seus próprios almoços, mas se vira com as poucas banquinhas fora dos locais de competição que vendem yakisobas e porções de arroz com frango xadrez.   Continuação...