Coréia do Norte celebra tocha com marchas militares e desfiles

segunda-feira, 28 de abril de 2008 09:42 BRT
 

Por Jon Herskovitz

SEUL (Reuters) - Os norte-coreanos agitaram bandeiras e flores de plástico e dançaram nas ruas de Pyongyang, nesta segunda-feira, para recepcionar a tocha olímpica, após o necessitado país comunista ter prometido uma festa "maravilhosa" para a vizinha e aliada China.

A tocha iniciou sua viagem de dois dias pela península dividida no domingo, quando muitos moradores de Seul ficaram irritados com as demonstrações de patriotismo, às vezes violentas, feitas por milhares de estudantes chineses que acompanharam a passagem da tocha pela capital sul-coreana.

A passagem da tocha por várias cidades do mundo resultou em protestos contra o regime comunista chinês, especialmente a respeito das questões dos direitos humanos e da repressão política no Tibet. Por outro lado, em vários lugares as comunidades chinesas têm se organizado para demonstrar seu patriotismo e seu apoio ao governo.

Na Coréia do Norte, o esquema de segurança foi praticamente desnecessário, já que praticamente não há manifestações e protestos espontâneos no país, cujo regime é muito criticado por entidades de direitos humanos devido a prisões e execuções de adversários políticos.

O discreto líder norte-coreano Kim Jong-il não apareceu nas festividades, mas dezenas de milhares de cidadãos colocaram suas melhores roupas e ficaram na fila para aplaudir a passagem, segundo imagens distribuídas a partir de Pyongyang.

Soldados tocavam marchas militares, mulheres com trajes típicos dançavam com homens de ternos pretos, alunas de pré-escolas se exibiam em monociclos, e ao longo do trajeto centenas de norte-coreanos faziam exibições sincronizadas de chutes de taekwondo.

Eventos internacionais são raros na Coréia do Norte, e um funcionário do regime disse à agência de notícias chinesa Xinhua que a passagem da tocha iria "maravilhar o mundo."

Ao longo de 20 quilômetros de percurso, a tocha passou por monumentos em homenagem ao fundador da Coréia do Norte, Kim Il-sung, ao filho dele, Kim Jong-il, e à ideologia do regime, que é a única dinastia comunista da Ásia.

(Reportagem adicional de Lee Jiyeon em Seul)