28 de Maio de 2008 / às 16:02 / em 9 anos

China diz que notícias ruins podem afastar público da Olimpíada

<p>China diz que not&iacute;cias ruins podem afastar p&uacute;blico da Olimp&iacute;ada. Estudante em frente a pr&eacute;dio destru&iacute;do de escola na prov&iacute;ncia chinesa de Sichuan. Uma importante autoridade chinesa do setor tur&iacute;stico admitiu que o notici&aacute;rio negativo a respeito do seu pa&iacute;s pode afetar a presen&ccedil;a de espectadores estrangeiros na Olimp&iacute;ada de Pequim. 25 de maio. Photo by Steven Shi</p>

Por Ben Blanchard

PEQUIM (Reuters) - Uma importante autoridade chinesa do setor turístico admitiu na quarta-feira que o noticiário negativo a respeito do seu país pode afetar a presença de espectadores estrangeiros na Olimpíada de Pequim.

Desde o começo do ano, a China apareceu no noticiário por causa das nevascas no sul do país, dos distúrbios no Tibete, dos protestos no trajeto da tocha olímpica pelo mundo, e agora por causa do devastador terremoto de Sichuan.

Também houve alertas da Interpol sobre possíveis atentados durante os Jogos, e o governo disse já ter desbaratado um complô de separatistas muçulmanos da etnia uigur para perturbar o evento.

“Acho que talvez haja algum efeito psicológico [das notícias] sobre alguns turistas estrangeiros que não entendem a situação”, disse Zhang Huiguang, diretora da Administração de Turismo de Pequim, em entrevista coletiva.

“Mas na realidade Pequim tomou várias medidas fortes de segurança”, acrescentou ela, em declarações que não apareceram no resumo da entrevista no site oficial dos Jogos (www.beijing2008.cn).

“Pequim não será afetada pelo terremoto de Sichuan. Ainda damos as boas-vindas a turistas de todo o mundo para que venham a Pequim durante a Olimpíada”, afirmou a funcionária.

A cidade espera receber entre 450 mil e 500 mil estrangeiros durante os Jogos, o que não é muito acima dos 420 mil que visitaram Pequim no mesmo período de 2007. De acordo com Zhang, trata-se da baixa temporada do turismo na capital.

De fato, a apenas três meses do início da Olimpíada, os hotéis não estão nada lotados. Nos quatro-estrelas, por exemplo, só 44 por cento dos quartos estão reservados.

“Alguns agentes de viagens ainda não pegaram os ingressos olímpicos, o que está causando problemas para alguns grupos. Se não tiverem ingressos, algumas pessoas também vão preferir não vir, já que os preços de quartos e carros estará mais alto do que o normal.”

Xiong Yumei, adjunto de Zhang, informou que os hotéis quatro-estrelas estão cobrando em média 320,3 dólares pela diária durante o período olímpico, o triplo do valor de um ano antes. Um cinco-estrelas chega a cobrar mais de mil dólares por noite.

Zhang disse que os novos controles de vistos em vigor não vão atrapalhar quem deseja ver os Jogos. “Acho que os visitantes precisam atender às nossas exigências, como por exemplo fornecer cartas de garantias dos hotéis, e mesmo assim devem conseguir vistos facilmente. Isso se deve a considerações de segurança. Pedimos a todos que compreendam.”

Mas as próprias autoridades turísticas admitem que a burocracia chinesa pode ser desanimadora. Um guia publicado em inglês pelo departamento pequinês de turismo alerta que visitantes por longos períodos precisam de um visto especial, obtido junto à polícia, “o que tende a criar uma dor-de-cabeça com o longo preenchimento de formulários”.

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